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Entrevista com Alvarito Mendes Filho (09/05/2006) - Por Mônica Boiteux

Alvarito Mendes Filho - Foto: Mônica Boiteux, 2006

ENTREVISTA COM ALVARITO MENDES FILHO - 9/05/2006 

Alvarito Mendes Filho é bastante conhecido no Espírito Santo pela sua carreira como escritor e ator. Temos certeza que você irá reconhecer esse rosto, pois sempre o vemos na TV, na propaganda de um supermercado.

Além de reconhecer seu rosto, é importante reconhecer sua contribuição para a cena cultural do Espírito Santo. Desde junho de 2005, Alvarito vem trabalhando como Secretário Adjunto de Cultura em Vila Velha, mudando o panorama da cidade na área cultural. Leia a entrevista a seguir e saiba mais sobre Alvarito Mendes Filho.

 

Site: Você é de Vila Velha mesmo?

Alvarito: Sou de Jardim América, mas há 15 anos, moro em Vila Velha, no Bairro Gaivotas. 

Site: Qual é sua formação?

Alvarito: Sou formado em Letras – Inglês pela UFES. Fui professor durante um tempo bom. Depois entrei em crise, não agüentava mais dar aulas de inglês. Eu vivia em um contexto em que se questionava muito essa questão da colonização brasileira por parte dos americanos, nós achávamos que tínhamos que mudar isso. E como eu era escritor, ou tinha pretensão de ser, e não podia publicar nada nos jornais sem ser jornalista, resolvi fazer Jornalismo.

Então voltei para a UFES e fiz Jornalismo. Formado em Jornalismo eu comecei a trabalhar. Trabalhei na TV Vitória (antiga Manchete), trabalhei no Caderno Dois em seqüência. Trabalhava meio expediente em um, meio expediente no outro. Depois fui para a Prefeitura de Vitória, como Assessor de Comunicação, mas larguei a Assessoria porque estava com muito trabalho.

Há muitos anos eu faço propaganda na TV e nessa época, o acúmulo de serviço estava me atrapalhando a fazer as propagandas, que é uma atividade que dá um bom dinheiro e eu me orgulhava muito, e ainda me orgulho, da questão da propaganda porque antes da gente, quem fazia as propagandas do ES eram atores de fora, de São Paulo, Rio. O empresário capixaba não acreditava em colocar uma marca na mão de uma figura local, e eu mudei essa história.

Depois de mim, vários atores conseguem pegar certas marcas, porque viram que era possível esse tipo de investimento. E é um investimento mais barato, por que pode se pagar um bom cachê para o artista, e não precisa pagar hospedagem, transporte, etc, etc... E também a facilidade de “Não ficou boa a gravação de ontem, chama o cara aqui de novo”, imagine trazer o cara de São Paulo de novo...

Voltando à minha formação, recentemente concluí minha pós-graduação em Imagem e Mídia. Até me surpreendi porque tirei 10 na minha monografia intitulada “Do Texto Teatral ao Filme”. São 3 peças de Shakespeare adaptadas para o cinema. Eu fiz essa brincadeira sobre essa questão da adaptação e foi muito bom, o pessoal gostou muito, eu tirei 10 com louvor na monografia. Mas enfim, é uma monografia dentro dessa área, da educação dentro de cada cultura, pois ali está o cinema, o teatro, a ópera, com a comunicação.

Então hoje eu tenho esses dois cursos e a pós-graduação. Fora a experiência de ser ator há tanto tempo, escritor, tenho 5 livros publicados, 3 de poesia, várias peças de teatro, textos premiados em concursos, vários textos montados. Tenho um projeto de comunicação de algumas peças minhas, que já está aprovado pelo Ministério da Cultura, pela Lei Rouanet. Estou com um aporte de R$ 155.000, 00 para levantar junto as empresas, para publicar 2 coleções, e em uma delas eu relaciono 15 peças infantis, são 5 livros, cada livro com 3 peças e 5 peças com temática adulta.

Eu quero mandar esse material para o Brasil todo. O pessoal fala que não monta autor atual porque não conhece e é verdade. Então a gente está correndo atrás de conseguir esse patrocínio para mandar para o Brasil todo. Estamos fazendo 3.000 cópias de cada livro.

Site: Como iniciou sua carreira de ator?

Alvarito: Comecei a fazer teatro em Jardim América, já como diretor. Eu estava na igreja, assistindo uma encenação de uma peça que seria representada na Semana Santa, um colega pediu minha opinião, eu dei, ele achou que eu entendia do negócio e me colocou como Diretor da peça.

Virei especialista em Semana Santa, dirigi peças no Estado inteiro, São Roque, aquela montagem imensa que tinha lá.

Na UFES, por força do inglês da Inglaterra, que estudávamos, começamos a montar pequenas cenas. Teve um ano que nós montamos um espetáculo. Minha sala tinha 30 mulheres e só eu de homem. A idéia do Professor Gilson Sarmento era montar um espetáculo com pequenas cenas, de várias épocas do teatro inglês, e feitas por uma mulher e um homem. Quando montamos, eu fiz todos os personagens masculinos, como Romeu, fui o Petrucchio da “Megera Domada”, fiz vários papéis, e as meninas se revezavam.

Renato Saudino, um diretor de teatro, me viu fazendo esse trabalho e me chamou para fazer teatro em Vitória. E aí eu comecei a fazer teatro e nunca mais parei. No ano passado eu completei 30 anos de poesia e esse ano eu estou completando 30 anos de teatro.

Site: Quais são as dificuldades para o ator capixaba?

Alvarito: O teatro infantil tem menos dificuldade hoje, existe um mercado para o teatro infantil. Eu criei há alguns anos o “Grande Festival de Teatro Infantil no ES”, que já está no seu 8º ano. Há 4 anos eu me afastei do Festival, mas meus irmãos continuam tocando o projeto.

Em 2005 os espetáculos foram vistos por 33 mil pessoas em Vila Velha e Vitória. O público infantil é um público mais viável. O grande desafio está em a gente conseguir seduzir o adulto, a gente sabe que é um público mais difícil. Mas acho que é um trabalho de resistência cultural, que nós, artistas, temos que encarar. Nesse momento eu estou montando uma peça chamada “Morto por 30 dias”, é uma comédia, foi o meu texto mais recente premiado em concurso.

Site: Qual o gênero que o capixaba gosta mais?

Alvarito: Ele gosta mais da comédia. Mas eu acho que a gente não pode abrir mão da qualidade, pensar que quem faz comédia faz qualquer comédia. A comédia tem que ser de bom gosto, de bom nível, uma comédia que leve a raciocinar um pouco. E também não podemos abrir mão do bom drama, onde contam temas da ordem do dia. Acho importante que nós tenhamos espetáculos também trágicos, ou com carga de dramaticidade muito grande.

Não é tanto a questão do gênero, mas do assunto que são discutidos, que são necessários. Por exemplo: As doenças sexualmente transmissíveis, a questão social dos jovens, o jovem de periferia, a violência contra a criança que é cada vez maior, ao invés de nos tornarmos mais carinhosos com as crianças, cada vez mais se pratica abusos contra crianças, enfim são vários assuntos que eu acho que são necessários e que o artista capixaba tem que trabalhar isso.

Site: Talvez o público adulto não vá muito ao teatro por causa da falta de estacionamento nos teatros.

Alvarito: Pode ser, se o Shopping abrisse espaço, seria interessante, porque o shopping tem estacionamento. Mas eu acho que os donos de shopping avaliaram a problemática e talvez tenham concluído que não valia a pena ter um teatro. Eu acho um erro, mas é uma verdade. O que nós temos hoje são espaços culturais que não dispõem desse tipo de infra-estrutura. Se bem que, à noite e nos finais de semana, o espaço para estacionamento no centro de Vitória e de Vila Velha são muito livres, tranqüilos.

Talvez a maior problemática seja a sensação de insegurança, e não o estacionamento. Talvez fosse uma questão dos próprios gestores desses espaços culturais trabalhar mais com a Polícia, informar que tem eventos, solicitar o reforço da Polícia. Quando a gente teve a Festa da Penha, pedimos o reforço da Polícia e a Polícia nos deu um apoio fantástico.

Se no Teatro tivessem uns 2, 3, policiais na porta do teatro, essa sensação já diminuiria, e o marginal que foi pra lá pra fazer um golpe, tentar um assalto já seria inibido.

Mas o artista precisa de muito apoio, porque não se faz cultura sem recursos. Como Vitória tem a Lei Rubem Braga, eu acho que os outros municípios poderiam ter as leis de incentivo cultural. Nós aqui em Vila Velha estamos discutindo sobre isso. Já começamos a levantar material sobre fundos de cultura de outros municípios país afora, como São Paulo, Santa Catarina e nós temos o aceno do Prefeito de trabalhar um fundo de cultura, ou ao menos uma Lei de Incentivo. Acho que seria muito importante para o nosso município.

Site: Você já escreveu um livro sobre Vasco Coutinho. Pretende escrever outros?

Alvarito: Eu tenho interesse em buscar mais histórias sobre as figuras históricas do ES.

Site: Qual personalidade capixaba daria um bom livro?

Alvarito: Vários. Tem o Robério Martins que é tido como um traidor. Porque ele tomou a defesa dos índios na época em que o Vasco Fernandes foi para Portugal, largou, abandonou praticamente a capitania do ES nas mãos de um gestor muito violento, que abusou, fez barbáries. E os índios, com o apoio de Robério Martins se rebelaram e acabaram matando várias dessas figuras que ficaram no lugar do Vasco Fernandes.

Então o Robério Martins é uma figura importante, eu pretendo trabalhar um pouco em uma peça de teatro com ele, ou um livro. Eu sei que tem um encontro dele com Padre Anchieta que é muito significativo: Dizem que ele teve um embate muito duro com Anchieta, e que o Padre acabou terminando a conversa antes porque o Robério estava começando a convencer o Padre de que ele (Robério) estava certo. Não sei se é folclórico, tenho que pesquisar mais sobre isso.

Padre José de Anchieta é uma figura muito emblemática, o próprio frei Pedro eu acho também uma figura muito interessante. Nós temos uma série de figuras que eu acho que dariam bons temas para peças de teatro, poemas, épicos e romances.

Site: Onde comprar seu livro “Vasco Fernandes Coutinho – Biografia Romanceada”?

Alvarito: Houve uma distribuição em livrarias e bibliotecas. É possível na Logos e em outras livrarias.

Site: Afinal, Vasco Coutinho aportou na Prainha ou na Praia do Ribeiro, aos pés do Morro do Moreno?

Alvarito: Na pesquisa que eu fiz, ele desembarcou na beirada do rio, na foz do rio da Costa (atual Valão). Não faz sentido o desembarque na Prainha, eles chegavam aonde tinha água doce, que era a água que eles usavam para fazer comida. Essa foi a pesquisa que eu fiz e encontrei. Todo mundo fala que é Prainha. Eu não estou aqui para criar uma celeuma.

No meu livro, tem um trecho que Vasco fala: “Vamos desembarcar aonde?” “Ali, perto daquele monte, que vou dar o nome de João Moreno, Morro do Moreno, tem um riacho de água potável, então vou ficar ali”. Em resumo é mais ou menos isso. Se você procurar no livro, vai ver essa cena. Aquela prainha teria sido onde eles desembarcaram, fizeram uma paliçada para se proteger contra os índios, ergueram uma capelinha em homenagem a um santo. A pesquisa que eu fiz indicou isso. Quando eu pesquisei era lá. E faz mais sentido.

Site: O que é mais característico da cultura de Vila Velha, na sua opinião?


Alvarito: O congo marca bem a cultura de Vila Velha. É um elemento ímpar na nossa cultura. Mas eu acho que tudo que a gente faz no ES, em Vila Velha, acaba tendo um sotaque nosso.

O nosso teatro é um pouco diferente do que se faz no resto do país. Falta a gente reconhecer e valorizar.

O pessoal do congo reclama com uma certa razão. As propagandas captam uma imagem do congo, para mostrar que é uma empresa genuinamente capixaba. E daí? Em que o pessoal do congo se beneficiou com esse reconhecimento? Nada.

É preciso que além do reconhecimento tivesse disponibilidade de apoiar essas manifestações no que elas precisam para sobreviver. É óbvio que todo mundo precisa de algum recurso. O grupo vai viajar, é preciso contratar um ônibus, o lanche, é o uniforme que está rasgando, velho, precisa comprar tinta para fazer a casaca, o tambor, que são os elementos usados no congo. Então esse reconhecimento tem que vir junto com o patrocínio.

Uma vez eu fiz uma avaliação do nosso entorno. Nós temos aqui a Bahia do lado, bem afro, Rio e São Paulo, duas portas para o mundo e Minas, aquela coisa bem regional. Nós ficamos meio perdido, sem saber quem somos. Por outro lado, às vezes temos vergonha de falar das nossas coisas, coisas positivas, enquanto: qual é a cultura da Bahia? A preguiça. Qual á cultura que São Paulo vende? O brega. O que o Rio vende? A malandragem, o malemolejo. Minas até que é mais valorizada, em termos de valores éticos. Nós aqui temos coisas excelentes e que às vezes ficamos um pouco calados, não divulgamos com uma certa vergonha, enquanto os outros põem a boca no mundo e dizem: Isso aqui é meu! Vem festejar comigo!

O nosso povo tem até virtudes maiores que os outros, mas ainda não se firmou nacionalmente e nós ficamos aqui meio retraídos, como se estivéssemos com vergonha desse aspecto cultural nosso.

Site: Quais são os projetos para a área cultural de Vila Velha para esse ano?


Alvarito: No dia 23 de maio, que é a Colonização do Solo Espírito-Santense, vamos ter eventos cívicos, desfiles das forças armadas e das escolas. A proposta para esse ano é que seja na Rua Luciano das Neves, terminando lá na Prainha. Vamos ter eventos culturais e artísticos, o palco está montado no Parque da Prainha, onde foi o palco da Festa da Penha.

Perto do arco do Parque da Prainha, será montado o Circo Cultural. Nesses dois espaços vamos ter uma série de eventos culturais, shows, com um nome nacional, uma banda. Nós estamos vendo 4 nomes que são: Skank, Paralamas do Sucesso, Seu Jorge ou Cidade Negra. Será um dos quatro. Além deles, teremos Alexandre Lima com Gabriel Pensador, que virá como convidado do Alexandre, no outro dia a Banda Casaca, e no outro dia devemos ter o Marcelo Ribeiro e Banda ou a Orquestra Filarmônica do Estado. Entremeando esses shows, teremos a apresentação de bandas que participaram do Festival Bandas Novas. As mais bem premiadas irão se apresentar dessa vez.

Os eventos começarão dia 20 e irão até dia 23 de maio

Estão previsto também outros eventos, como os Jogos da Colonização, com a garotada do futebol, o Janc está nos apoiando e também jogos de futebol de salão adulto. Queremos incluir o esporte na programação.

No Circo Cultural iremos prestigiar música e outras manifestações culturais e artísticas, como o pessoal da arte circense, a literatura, teatro, congo, capoeira, contadores de histórias e oficinas de artes temáticas. É lá que conseguimos prestigiar a arte e cultura de uma forma mais ampla. A inclusão do circo, a lona, quando fizemos a Festa da Penha, foi um grande ganho para o artista local e para o público. É um evento para a família como um todo. Tem bola-mania para as crianças, cinema, blues para os jovens e congo, que é para todo mundo.

Nós estabelecemos esse ano o molde para a Festa da Penha, deu resultado e queremos continuar. O canela-verde tem tudo para ter uma auto-estima lá em cima. Temos uma vocação turística maravilhosa, vocação para a cultura, arte, esporte. Vila Velha é um município muito viável. Temos que trabalhar para que todos esses eventos aconteçam em Vila Velha.

Quando eu assumi a Secretaria Adjunta de Cultura, eu chamei a atenção do Prefeito para o fato de que o saneamento básico, a educação, são fundamentais para a vida da pessoa, são vitais, agora a maioria dos municípios que aparecem com uma boa imagem Brasil afora, são aqueles que investem em cultura e esporte. Qual é aquela cidade que tem um Festival de Cinema? Aquela que tem o melhor carnaval com ritmos axés? E aquela cidadezinha no ES que tem um Festival de Forró? O Município que tradicionalmente tem escritores que nascem lá? Dentro do próprio município, se você perguntar qual é aquele bairro que tem uma característica cultural e artística mais forte? Todo mundo sabe que é Barra do Jucu, que estamos falando de Cachoeiro, enfim.

Dentro da administração pública, investir em cultura é um bom senso do governante, uma característica de visão.

Eu acredito muito na cultura de Vila Velha, no potencial que ela tem para o turismo. O turista não quer só praia e boteco. Ele quer saber o que está rolando na cidade, qual é o artista daqui. Nós fizemos muito sucesso com a Tenda da Cultura no verão porque colocamos os nossos artistas para se apresentar lá. A turistada ficou encantada. Não só a turistada, mas também o nosso munícipe que começou a ir e se sentir bem.

É uma forma de prestigiar o que é nosso e prestigiando o que é nosso, estamos prestigiando o nosso visitante. Não tenho a menor sombra de dúvida disso.

 

Fonte: Site Morro do Moreno
Alvarito Mendes foi entrevistado por Mônica Boiteux em 09/05/2006 



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