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Francisco de Paula Nei - O maior dos boêmios

Visconde de Saboia, médico e professor

Falando sobre boemia, não se pode deixar de falar sobre Paula Nei, que foi seguramente maior boêmio que o Brasil conheceu, até os dias de hoje.

Nasceu em 1858 em Aracati, Ceará. Fez os estudos primários e secundário nos Educandários de Fortaleza e Recife, onde já começara a ficar conhecido como "blaguer" incomparável e orador primoroso.

Em 1876 embarcou para o Rio, para a Corte Imperial, trazendo pouco dinheiro, mas uma tremenda inteligência. Tinha 18 anos. Em 1877 requereu e obteve matrícula na Faculdade de Medicina.

Nos dois primeiros anos de Faculdade, ainda levava a sério os estudos, porém como a mesada enviada por seu pai era escassa, resolveu também dedicar-se ao jornalismo, para ganhar algum dinheiro extra que o ajudasse a manter-se. Conseguiu um lugar de repórter na GAZETA DE NOTÍCIAS, onde também trabalhava como redator José do Patrocínio, que mais tarde ficou conhecido como "O tigre da abolição".

Aqui começa praticamente a vida boemia de Paula Nei. Começou a frequentar as rodas boemias da época que se reuniam nos cafés e bares localizados na Rua do Ouvidor, como a "Pascoal,", "Castelões", "Deroche", isto de dia e a noite na "Maison Moderna" e "Coblentz", e mais tarde na Confeitaria Colombo, na Rua Gonçalves Dias.

Agora vejamos quem eram seus companheiros de boemia do dia a dia e noite a noite! Olavo Bilac, o principe dos poetas brasileiros, Coelho Neto, Guimarães Passos, Artur da Azevedo, Aluizio de Azevedo, Luiz Murad, todos grandes escritores e teatrólogos, e ainda o fabuloso trocadilhista Emílio de Menezes e outros.

Com essa vida boemia que levava, começou a relaxar nos estudos de medicina. Ia as aulas uma vez por semana e olhe lá. Na época de provas contava com sua inteligência fora do comum para safar-se. Vejam agora, para vocês terem ideia do que acabo de escrever, uma das grandes pilherias de Paula Nei.

Época de provas. Como sempre a sala cheia, e galerias também, pois quando Paula Nei ia fazer provas ninguém queria perder o espetáculo pois sabia-se que ia sair alguma "blague".

— O professor, o Visconde de Saboia, chamou Paula Nei, e mandou que ele retirasse o ponto, a fim de que ele dissertasse sobre a matéria. Paula Nei, levantou-se foi na banca examinadora e retirou o ponto. Abriu-o e viu logo que estava fraquíssimo naquela matéria. Verbo fácil, invejável dicção, começou:

— "Nos mares procelosos da ciência humana, às vezes as mais lúcidas inteligências se debatem e vão ao fundo..."

Aí, o Visconde de Saboia, interrompeu-o e perguntou-lhe:— "Sr. Paula Nei, já que o Sr. quer fazer dissertação literária extra-ponto, diga-me uma coisa, e faça-me o favor de dizer o que seria da ignorância se a inteligência naufraga?"

Rápido como um relâmpago, Pauta Nei, fulminou o professor com essa resposta à queima roupa: —"ESSA BOIA, senhor Visconde!"

O professor, Visconde de Saboia, deu-lhe um tremendo 0, e mandou-o retirar-se da sala, enquanto explodia pela sala uma tremenda gargalhada de todos os presentes...

 

Adiante veremos mais algumas do Paula Nei.

 

 

Fonte: “Estória de Boemios e Outras Estórias” - 1978
Autor: Helio de Oliveira Santos
Compilação: Walter de Aguiar Filho, abril/2019

Estórias de Boêmios - Por Hélio de Oliveira Santos

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