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Hermogem

Ilustração de Moema Rebouças

Eu, Tertolino Balbino, desde os meus 25 anos que eu cunhecí o senhor Hermogem Fonseca.

Me lembro muito bem como se fosse hoje, ele tinha sua casa em Vila Velha e morava aqui em Santana. Muita vêiz nóis estava de viagem para Vitória, ele possuía um carro marca Variante, ele lotava de gente e nos levava pra Vitória e ia direto à casa dele em Vila Velha. Lá nóis comia e bebia e dormia, no outro dia ele pegava a Variante e levava nóis ao médico, esperava e depois botava nóis no carro e trazia de volta. Quanta vêiz ele chegava lá em casa e dizia assim: Meu mestre, vossa micê pode ir fazer um servicinho pra mim lá no Pixingolê? Aí dizia: Leva a sua ferramenta. Aí eu no outro dia ia era pra endereitar uma porta, fazer uma tramela, repregar uma cangalha velha.

As vêiz eu pegava uma cavadeira velha e cavava dois buraco no chão, enfincava dois ganchos de pau e colocava uma banda de canoa velha em cima. Aí ele sentava todo satisfeito, dizia que era o melhor banco.

Ele tinha tanta confiança em mim que qualqué coisa que tinha para fazer e consertar era eu que tinha de dá jeito. Turismo, quando ele era Secretário de Turismo em Conceição da Barra eu já era classificado como carpinteiro, aí nóis fomos fazer a barraca da Feira do Município, no Jardim Camburi, aí a barraca de Conceição da Barra eu que tive que tirar o modelo da igreja de Nossa Senhora, a igreja velha, aí ele corria com a dispeza nossa de comida e dormida. Aí ele que deu o dinhêro para nóis almuçar na pensão, mais como era tão longe a pensão para nóis ir e difício condução, nóis comprava lingüiça e farinha, coloquemo quatro lajota no chão, colocava um pedaço de flande em cima com uns pedaço de pau, fazia um fogo e fritava a lingüiça, com a mesma gordura dela colocava um litro de água no fogo, esquentava água e fazia pirão e comira pirão dágua com lingüiça, e ele adorava. E depois ele no poder no Turismo nóis construímos a Birosca de Zé Cobra, eu como mestre de carpinteiro, a pessoa de confiança dele.

Ainda no poder em 1979, levou o Ticumbi em Alagoas, Maceió, aonde nóis gravemos um disco, fomos no Rio de Janeiro algumas vêiz.

Em Vitória nunca posso me esquecer de todas as vezes em que ele se encontrava comigo. Pudia ser aonde fosse ele me comprimentava como que eu fosse um general, tirava o boné da cabeça, me dava a mão e se curvava em minha frente, me chamava de meu mestre, e neste mesmo tempo, voltando atráis quando nóis fizemos a Birosca do Zé Cobra, foi eu como mestre de ajudante, foi Tem Remédio, o Juão Concélio,foi Champinha, que era Ailton, e Miúdo. Ele saindo do Turismo continuou dando todo apoio ao Ticumbi, e faleceu sendo como 1º Vassalo do Ticumbi.

Vou terminar as minhas prozas com este versinho:

Hermogem, aqui me despeço,

Deus te dê um bom lugar,

Pertinho de São Benedito

Eu creio que tu está.

 

Hermogem, aonde tu está,

Está ouvindo a nossa voz,

Tu roga a Jezúis Cristo

E São Benedito para nóis.

Obs: (Transcrito no linguajar original do autor.)

 

Fonte: Era uma Vez... Hermógenes Lima Fonseca Um Anjo bom que passou por aqui, 1997
Autor: Tertolino Balbino
Compilação: Walter de Aguiar Filho, agosto/2014

Escritores Capixabas

Eloi Ghio

Eloi Ghio

O escritor, historiador, psicanalista Eloi Angelos Ghio é natural de Vitória (capital), estado do Espírito Santo. Vive desde a infância na cidade de Vila Velha, local original da invasão, conquista e colonização da antiga Capitania, há 471 anos. Como professor tem levado centenas de alunos, ano a ano, a conhecer e apaixonar-se pela rica histórica capixaba, fundada com documentos escritos pelo Capitão-mor Vasco Fernandes Coutinho, a 23 de Maio de 1535.

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