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Muqui - Maior sítio histórico do Estado

Muqui Igreja de São João Batista

O município conta com cerca de 200 imóveis tombados, que são parte integrante do patrimônio cultural do Espírito Santo

Em meio a majestosas formações montanhosas ao Sul do Espírito Santo nasceu Muqui por volta de 1850, com a chegada de imigrantes em busca de novas terras para o plantio cafeeiro. Mas foi o passar dos anos que fez do município abundante em belezas naturais um lugar rico também em história preservada pelo acervo arquitetônico.

Considerado o maior sítio histórico do Espírito Santo, Muqui conta com cerca de 200 monumentos tombados, que fazem parte do patrimônio cultural. Entre as antigas construções que revelam um período do império do café estão casarões, sobrados e palacetes espalhados por todos os cantos. No centro da cidade é possível visitar também a bela Igreja Matriz São João Batista, com vitrais fabricados em São Paulo e no Rio de Janeiro e pinturas do italiano Giuseppe Irlandini, executadas na abóbada da capela-mor, na década de 40. Pequena e aconchegante, com apenas 14.396 habitantes, Muqui recebe os turistas com a alegria das manifestações folclóricas e revela todo o seu charme e encanto por meio de uma paisagem bela em todos os ângulos. Ao longo da colonização, inúmeras fazendas se formaram e em 1902 foi inaugurada na região a estação Férrea da Leopoldina Railway, permitindo o acesso de imigrantes de origem portuguesa, espanhola, italiana e síria, que contribuíram muito para o fortalecimento da economia local.

Em outubro de 1912, a Lei Estadual n° 826 oficializou a criação do município de São João de Muqui. Mais tarde, o nome foi simplificado para somente Muqui, que significa "entre morros".

Vários fatores transformaram a região em um dos maiores centros de atração populacional do Espírito Santo até a década de 1940.

E na eclética arquitetura prevaleceu o requinte pelo apuro técnico de detalhes construtivos que são próprios do neoclassismo.

As construções das décadas de 20 e 30 se destacam pelas fachadas decoradas com elementos florais e varandas laterais com pinturas de temas de paisagens naturais.

Hoje quem visita o município, que vai completar 100 anos em 2012, pode voltar no tempo, dar asas à imaginação e conhecer aspectos de um passado que não deixa esquecer.

MONUMENTOS HISTÓRICOS

Casa Jorge Nunes Acha

Construída em 1923, a Casa Jorge Nunes Acha, localizada no bairro Entre Morros, é um dos imóveis tombados em Muqui. Dentro do sítio histórico do município, é a residência que possui a mais variada pintura interna em stencil. O acesso se dá por um avarandado com o telhado sustentado por colunas coríntias, a varanda possui um barrado em azulejo retratando o Corcovado, ainda sem o Cristo Redentor. Pertenceu ao maçom Jorge Nunes Acha, por isso conta com pintura original em tons azul. A casa possuía cobertura em forma de pirâmide, símbolo da maçonaria.

Casa Ana Fraga

No centro de Muqui a arquitetura trabalhada chama a atenção para a Casa Ana Fraga. O monumento que faz parte do sítio histórico da cidade possui fachada simétrica com platibanda adornada em arco.

Motivos florais decoram os balaústres e a platibanda. Internamente, a sala principal também é totalmente decorada por pinturas com motivos florais.

O acesso à residência construída em 1925 é feito por um avarandado lateral, sustentado por colunas com adornos coríntios.

Fazenda dos Andes

A influência italiana rural mantém-se presente na Pousada Fazenda dos Andes, construída no início do século XX. Com as características originais preservadas, a bela propriedade está inserida na Serra da Morubia.

A casa tem sete quartos, quatro salas, sendo uma sala de jogos e uma com coleção bélica, porão, jardim, cozinha e banheiros, piscina e dois quiosques.

Conta ainda com uma mata nativa para caminhadas e a prática de outras modalidades esportivas, poço para criação de peixes e granja com criação de aves.

MUQUI - Superstição e alegria na Folia de Reis

A peregrinação dos palhaços, tocadores e mestre começa no dia 24 de dezembro e vai até 6 de janeiro, Dia dos Santos Reis

Um misto de cores, batuques e superstições revela a tradição da Folia de Reis, que todos os anos envolve Muqui, em uma atmosfera mágica.

A peregrinação dos palhaços, tocadores e mestre — os famosos personagens que animam a festividade — começa a partir da meia-noite do dia 24 de dezembro, noite de Natal, e prossegue até o dia 6 de janeiro, Dia dos Santos Reis.

De 7 a 20 de janeiro, dia de São Sebastião, a homenagem continua, dessa vez ao santo de devoção, e sem a presença dos palhaços. Nesse período, os foliões batem à porta das casas dos moradores do município procurando o menino Jesus, simulando a peregrinação feita pelos três reis magos.

Se o dono da casa não atender, ela é amaldiçoada e, se atender; é abençoada. O dinheiro ofertado pela população e recolhido pelo mestre da folia é utilizado para a festa do arremate que acontece sempre após o dia 20 de janeiro.

Com roupas coloridas e chapéu com fitas, os foliões carregam a Bandeira dos Santos Reis, principal símbolo religioso da folia. Toda a jornada é embalada ao som dos bumbos, tarol, surdo, viola e sanfona dos tocadores e suas toadas. As cantorias, com ritmo triste e alegre, segundo a cultura popular, serve para espantar os maus espíritos para que o Natal passe em paz.

A antiga tradição européia disseminada em países católicos, chegou ao Brasil trazida pelos portugueses. E é graças à influência de encontros realizados desde 1950 em Muqui que os 10 grupos organizados de Folias de Reis continuam ativos e contribuem para a valorização e revitalização da tradição em todo o Estado.

Os encontros transformaram-se no principal evento turístico do município, atraindo aproximadamente 10 mil pessoas e contribuindo para a dinamização da economia local. Também são considerados pela Comissão Nacional de Folclore, como o mais antigo encontro de folias do Brasil.

Personagens da Folia de Reis

Mestre

É quem organiza todo o grupo de foliões. Com seu apito, comanda as toadas e tira os desafios. É uma espécie de líder espiritual, que é respeitado por todos por ser detentor do conhecimento de todas as profecias.

Palhaços

Representam a figura do Rei Herodes como os soldados que açoitaram Jesus. O aspecto bizarro assusta e diverte a todos. É sempre a maior atração das folias.

Tocadores

São os músicos que animam a folia tocando bumbos, tarol, surdo, viola e sanfona e entoando as toadas. Essas cantorias possuem ritmo triste e alegre. Segundo os mestres, sua música espanta maus espíritos para que o Natal passe em paz.

Ar puro, verde e delícias culinárias

Muito verde, ar puro e delícias caseiras fazem parte do Roteiro da Morubia, que sai de Muqui em direção a Atílio Vivácqua, passando pela bela Serra da Morubia, Comunidade Fortaleza e Sumidouro.

Durante o passeio, os turistas podem apreciar a produção da culinária caseira, como doces em compota e em barra, produtos derivados do leite, salgados, pães e pizzas.

O trajeto também permite se hospedar e conhecer a imponência de fazendas centenárias, sítios e propriedades rurais onde as famílias vivem da agroindústria e do artesanato.

A região de Sumidouro revela onde começou a comunidade de Muqui que ganhou esse nome devido um fenômeno natural, no qual o rio desaparece debaixo de um lajedo de pedra, reaparecendo 800 metros depois em outro município.

Na Comunidade Fortaleza é desenvolvido o projeto "Milho Variedade", pelo o qual o agricultor pode replantar o milho e não necessita comprar semente a cada novo plantio.

Já a Serra da Morubia ficou mais conhecida quando a curiosa história do ermitão que vive em uma caverna ganhou a tela do cinema.

Bois comandam festa

O rico folclore de Muqui tem na Festa do Boi Pintadinho uma das principais atrações do Carnaval.

Mas a animação começa a partir de janeiro, quando cerca de 20 grupos de bois iniciam a confecção de indumentárias, aquisição de novos instrumentos e ensaio da banda nos bairros onde residem os donos dos bois (os amos).

Cada boi tem sua bateria, fogos de artifício e efeitos especiais e, na forma de cortejo, a brincadeira carnavalesca ganha as ruas. O Corredor da Boiada acontece na Avenida Vieira Machado, com os bois dando investidas no público.

O objetivo da competição entre os bois é arregimentar o maior número de pessoas e ganhar o status de melhor e o mais bonito. Não há uma premiação determinada.

Com a valorização do folguedo, a brincadeira que era de gente pobre passou a ser valorizada por todas as classes sociais, o que tem contribuído para o surgimento de novos grupos e personagens como a Vaca Mocha, grupo composto somente por mulheres.

O Carnaval de 2011 atraiu aproximadamente 40 mil visitantes por dia, e todos os hotéis e pousadas da cidade ficaram lotados.

Veja mais fotos de Muqui:

http://www.morrodomoreno.com.br/galerias/muqui.html

 

Fonte: Jornal A Tribuna, Lugares, 06/11/2011
Compilação: Walter de Aguiar Filho, agosto/2016

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