Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

Os “Grandes Coisas” - Por Hélio de Oliveira Santos

Estórias de Boemios e Outras Estórias”, 1978 - Autor: Helio de Oliveira Santos

Esta estória passou-se há uns 30 anos atrás. Estava meu irmão Alberto, o Atila Bezerra (figura muito conhecida na sociedade de Vitória e Rio, que já foi Ministro da Fazenda, hoje aposentado pelo referido Ministério, compositor e que também arranha um violão) e se não me falha a memória também o nosso Asdrubal Soares, e mais uns amigos, todos doutores, formados em advocacia, engenharia e outras doutorices...

Lá pelas tantas, mais ou menos nove horas da noite (já tinham tomado uns uísques), resolveram fazer umas serestas aqui em Vitória. E lembraram-se do Alceu. O Alceu, hoje aposentado, era na época funcionário do Banco Hypothecário e Agrícola do Estado de Minas Gerais. Ele tinha uma vozinha bonita, aranhava bem o violão, e estava sempre pronto a uma serenata, junto com amigos.

Foram a casa do Alceu ( ele morava na Duque de Caxias, na parte que tem aquela descida que dá para a Praça Costa Pereira, antiga Independência) e com cuidado, para a mulher dele não ouvir chamaram-no para a seresta. O Alceu também gostava de tomar umas e outras e com muito cuidado apanhou o violão e saiu com os doutores...

Entraram no carro e começou a romaria das serestas. E o carro, com umas três garrafas de uísque dentro. E canta aqui, canta ali, e os seresteiros, inclusive o Alceu mandando brasa, no uísque. E essa serenata entrou pela madrugada adentro, até que, já todo mundo mais pra lá do que pra cá (inclusive o Alceu, já cheio e também já rouco de tanto cantar, e também já com os dedos bêbados pois já não conseguia tocar mais nada) resolveram levar o Alceu em casa, e depois cada um tomar seu destino.

Pararam o carro em frente a casa do Alceu, e com muita dificuldade (ele morava no segundo ou terceiro andar, e o prédio não tinha elevador) foram carregando o Alceu pela escada, escada essa de madeira, que rangia como o diabo. Conseguiram botar o Alceu dentro de casa, e sua mulher estava dentro do quarto com a porta fechada e a luz acesa.

O Alceu parou em frente ao quarto de dormir do casal, e antes que a mulher desse a bronca, ele foi dizendo, com voz de bêbado.

- Meu bem, não fique preocupada. Eu estava com o Dr. Alberto, Dr. Atila, Dr. Asdrubal , e mais uns doutores!

Aí a mulher dele nessa altura já uma fera respondeu alto:

- “GRANDES COISAS!!!”

Como quem diz, o que adianta sair com doutores, para chegar em casa neste estado? Podia sair com qualquer um, que talvez chegasse em melhor situação...

 

Fonte: “Estórias de Boemios e Outras Estórias”, 1978
Autor: Helio de Oliveira Santos
Compilação: Walter de Aguiar Filho, dezembro de 2013

Literatura e Crônicas

Kallima

Kallima

Ali perto, Diná andava pela calçada, entre outros travestis. Com as unhas pintadas de vermelho vivo combinando com o batom, a mini-blusa de malha apertada sobre o short comprado na Vila Rubim

Pesquisa

Facebook

Leia Mais

Paradise Bar Island Blues

Pois este é o êxtase: os milagres de ver, de ouvir, de tatear, de cheirar, de gustar de você, excelência, leitora vil, avessa do zero até onde é o mil! 

Ver Artigo
O Marrocos

Acabo de saber - mas que castigo, que acaba de fechar meu velho bar!

Ver Artigo
Bares, doces bares amargos da juventude - Por Milson Henriques

O Britz Bar  ficou famoso por estar localizado perto das redações de todos os jornais e logicamente freqüentado pelos jornalistas que viam o sol nascer em suas cadeiras

Ver Artigo
O Bar do David - Por Miguel Depes Tallon

Ao longo dos anos, o Bar do David foi se especializando em frutos do mar e peixe, com o melhor caranguejo 

Ver Artigo
Bares? Eu hein, nem pensar! - Por Marilena Vellozo Soneghet Bergmann

Para as colegiais de recatadas saias (quatro dedos abaixo dos joelhos), os bares eram um lugar cheio de proibições e ambivalências. Tinham algo de sombra e mistério, sedução e... fumaça

Ver Artigo