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Prefácio do próprio livro - Princesa Teresa da Baviera

Princesa Teresa da Baviera

Realizei minha viagem ao Brasil na companhia de uma dama, um cavalheiro a serviço e um criado que havia adquirido habilidades taxidérmicas(5). A finalidade da minha viagem foi conhecer os trópicos e, sempre que possível, visitar povos indígenas, coletar plantas, animais e objetos etnográficos. Como resultado dessa viagem deve ser mencionada, entre outros, a descoberta de algumas espécies de animais e variedades de plantas, bem como a constatação de alguns locais de novos achados.

O primeiro objetivo, de contribuir com alguns complementos sobre a geografia animal e vegetal, me moveu a elaborar os resultados da viagem e pensar numa publicação. Enquanto eu estava ocupada com essa atividade, ocorreu o evento da grande virada política no Brasil(6). Logo depois o nobre casal de regentes desse país foi sepultado para seu descanso eterno. Fizeram parte de um período histórico encerrado as coisas que eu vi e vivenciei na corte brasileira e muito disso ganhou mais interesse pelo fato de que posteriormente não foram mais observadas. Foi isso que me motivou a submeter também essa parte da minha viagem à redação, fato que não estava previsto para ser tornado público, adicionando-a às explanações geográficas.

Infelizmente não foi possível entregar estas folhas para a impressão mais cedo, pois foram necessários cinco anos para determinar as plantas e os animais coletados e fazer as comparações dos objetos etnográficos por mim trazidos com os existentes nos diversos museus etnográficos. Está certo que muitos homens de boa vontade tiveram a bondade de verificar a maior parte dos objetos, mas não me contentei com isso, trabalhando eu mesma em cada objeto isolado e, para esse fim, tive que me familiarizar detalhadamente com os materiais da literatura pertinente. Outro atraso na publicação foi devido ao fato de que me vi obrigada a realizar várias viagens para complementar meus estudos. Assim, estive em Paris em 1889 para ver os objetos de cerâmica dos índios do antigo México e de vários países da América Central e Latina, expostos numa transparência até aquele momento ainda não vista, visando compará-los com os objetos brasileiros. Depois estive na América do Norte em 1893, com o objetivo de obter uma visão do maior número possível de materiais etnográficos para comparação. Tive êxito nisso, pois, além de visitar as coleções, pude ver pessoalmente indígenas de 17 nações diferentes, desde o Canadá até o sul do México.

Fui aconselhada a registrar as vivências das minhas viagens em forma de diário. Segui o conselho. No entanto, quanto mais eu avancei na escrita do meu livro, tanto mais me tornei consciente de que essa forma não seria a mais adequada. Por exemplo, ela me impediu de resumir as impressões e aproveitar as experiências complementares adquiridas posteriormente. Mas, se mesmo assim eu aproveitasse essas experiências, resultaria o mal-entendido de que aparentemente eu sabia de coisas numa época em que teria sido muito difícil ou até impossível saber delas. Quando tive certeza dessas e muitas outras desvantagens do livro em forma de diário, a obra já havia avançado demais para ser retomada desde o início numa forma diferente.

Além dessa situação desagradável, também fui impedida de trabalhar no livro de acordo com minha vontade pela falta de literatura. Para citar apenas algumas coisas, diversas das mais importantes famílias de plantas ainda não apareceram na Flora brasiliensis, de Martius(7). Do mesmo modo, o volume do catálogo ornitológico que trata das garças, editado pelo Museu Britânico, ainda não foi publicado. Visto que muitos novos pontos de vista das Ciências Naturais passaram a valer durante os longos anos do meu trabalho, fui obrigada a fazer muitas alterações posteriores na obra já dada por concluída. Sendo assim, pode ter acontecido que fiz uma retificação em algum ponto, mas tenha deixado de introduzi-la num outro, resultando disso algumas contradições no meu livro. De qualquer maneira, apesar de repetidas e trabalhosas revisões do todo, devem ter ocorrido várias falhas. Antes de terminar esta introdução, não posso deixar de agradecer a todos os que me auxiliaram com tanta amabilidade na definição dos materiais naturais por mim coletados e trazidos para fins de estudos e em outras tantas coisas. Pertencem a esses os senhores das áreas de zoologia, paleontologia, mineralogia e botânica do Museu de Munique, vários senhores do Museu de História Natural de Viena, do Museu de Ciências Naturais e do Museu Botânico de Berlim, bem como do Museu Britânico de Londres; os botânicos Dr. Weiss, von Freysing, Dr. Dingler, von Aschaffenburg, Schenk, de Darmstadt, Köhne e de Berlim, Mez de Breslau, Cogniaux, von Verviers, Stapf, von Kew e Petersen, de Copenhagen, os zoólogos Conde Otting de Munique, Berlepsch de Munique, Forel de Zurique, Barão de Sélys-Longchamps de Lüttich e Dr. Goeldi do Pará e, finalmente, o geólogo, prof. Orville A. Derby de São Paulo.

 

Munique, 1897

A AUTORA

 

 

 

NOTAS

(5) Arte de empalhar animais. Nota da Tradutora (NT).

(6) A autora se refere à derrubada da monarquia no Brasil e à instalação da República, em 1889. Nota do Organizador (NO).

(7) MARTIUS, Karl Friedrich Philip von. Flora brasiliensis. Stuttgartiae et Tubingae: Sumptibus & J. G. Cottae, 1829.

 

PRODUÇÃO

 

Arquivo Público do Estado do Espírito Santo

 

Coordenação Editorial

Cilmar Franceschetto

 

Revisão

Julio Bentivoglio

 

Apoio Técnico

Alexandre Alves Matias

Jória Motta Scolforo

Maria Dalva Pereira de Souza

 

Agradecimentos

André Malverdes, Levy Soares da Silva, Cláudio de Carvalho Xavier (Biblioteca Nacional), Adriana Pereira Campos, José Eustáquio Ribeiro, Adriana Jacobsen e a Hadumod Bussmann pelo fornecimento do diário de Maximiliano von Spiedel.

 

Editoração Eletrônica

Lima Bureau

 

Impressão e Acabamento

Dossi Editora Gráfica

 

 

Fonte: Viagem pelo Espírito Santo (1888): Viagem pelos trópicos brasileiros = Meine reise in den brasiliaischen tropen: / autoria da Princesa Teresa da Baviera; Vitória: Arquivo Público do Estado do Espírito Santo, 2013
Autora: Princesa Teresa da Baviera
Tradução: Sara Baldus
Organização e notas: Júlio Bentivoglio
Compilação: Walter de Aguiar Filho, outubro/2020

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