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Radium Hotel Guarapari

Radium Hotel

 

Muito dinheiro, peças luxuosas, fichas de jogos, talheres em prata, jóias com diamantes, relógios de ouro e glamour, além de muitas histórias de amor. É assim que ex-funcionários do Radium Hotel descrevem a época dos anos dourados do hotel cassino de Guarapari.

O empreendimento, localizado na praia da Areia Preta, foi um dos hotéis mais importantes da região Sudeste e do Brasil, contou o escritor e jornalista Cacau Monjardim, que trabalhou no local.

Construído em 1947 pelo Estado para ser escola naval, o Radium só foi inaugurado em 1953 pelo arrendatário italiano Alberto Quatrini Bianchi, que montou o cassino.

O hotel recebia hóspedes ilustres, como o governador Francisco Lacerda de Aguiar, o popular Dr. Chiquinho, e outros políticos, como Fernando Ferrari e o presidente da República, João Goulart, e sua mulher, dona Tereza.

Nelson Gonçalves, Elza Soares, Cauby Peixoto e outros famosos do teatro carioca e da rádio nacional se apresentavam no hotel e o lucro do jogo garantia os espetáculos.

Havia casos em que os jogadores passavam um final de semana inteiro jogando no cassino. Houve o episódio de um fazendeiro que perdeu sua fazenda no jogo. Ele era de Muqui, na região Sul do estado. Sorte que o hotel era flexível e negociava para não perde seus clientes.

A fase áurea do Radium Hotel perdurou até 1964, quando a ditadura militar fez valer a lei do fechamento do jogo no Brasil, decretada pelo general Eurico Gaspar Dutra em 1964.

A proibição se deu em função da primeira dama da República, Carmela Leite Dutra, a dona santinha, ter pedido ao seu marido que proibisse a jogatina. Ela era católica e não aceitava a liberação dos jogos.

Para o ex garçom e maitre, Bento Nossa, 78 anos que trabalhou no local até a década de 1970, o que chamava sua atenção é que os freqüentadores usavam jóias em diamantes e brilhantes. Bento teve sucesso em sua carreira profissional e um marco na vida amorosa, pois lá conheceu sua mulher.

No intervalo do trabalho, ele visitava uma butique de perfumes e artigos importados do hotel foi assim que se apaixonou pela vendedora Maria Aldinéia Marques Nossa, 71 anos, que trabalhavam lá.

Após seis meses de namoro, se casaram, se casaram e estão juntos há 50 anos.

 

Aviões Levavam jogadores ao hotel

 

Atraídos pelos jogos, além de beleza do local, jogadores de cassino saiam de São Paulo e Rio de Janeiro para virem ao Radium Hotel, em Guarapari, de avião. As aeronaves eram fretadas pelo dono do hotel, Alberto Quatrini Bianchi, que pagava as despesas com hospedagem, comida e transporte para atrair os jogadores ao cassino.

No salão de jogos, havia duas roletas funcionamento, além do jogo de cartas conhecido como por pif paf.

O garçom e maitre, Barcimio Marques, 70 anos, contra alguém que o que mais o marco foram os aviões de modelo dc3, com capacidade de 45 pessoas que posavam no estágio do hotel geralmente ás sextas-feiras e só retornavam nas segundas.

O maitre aposentado, Bento Nossa, relembrando quando ocorriam festas no restaurante enquanto havia a jogatina no cassino. Segundo ele geralmente as mulheres comandavam as festas e pediam aos garçons.

 

 

Até Médicos para Hóspedes

 

O Radium Hotel possuía, além do cassino e do bar, espaços reservados para atendimento a pacientes.

Após o médico Silva Mello estudar as áreas monazíticas da praia da areia Preta e constatar seus benefícios, milionários do mundo inteiro deixavam suas cidades e passavam até três meses no hotel em Guarapari, para tratar a saúde.

Quatro médicos – sendo dois sobrinhos do arrendatário Alberto Bianchi – coordenavam o n tratamentos fisioterápicos e reumatológicos no hotel.

O ex-garçom Barcimio Marques contou que cientistas americanos vinham para o local e instalavam equipamentos no jardim para medir a radiotividade.

O escritor e jornalista Cacau Monjardim conta que em Guarapari deveria ir para a organização mundial de saúde (OMS) para se transformar em patrimônio terapêutico da Humanidade. “A área do jardim hotel concentra a maior radioatividade da cidade. Foi comprovado na época“.

 

Patrimônio Histórico desde 1998

 

O hotel foi construído em 1947 pelo estado, para ser uma escola naval.

Em 1953, foi inaugurado pelo por Alberto Quadrini Bianchi, que era italiano e montou o cassino.

Quando Bianchi arrendou, foi à época da áurea do turismo em Guarapari, até 1964, quando o jogo passou a ser proibido no Brasil.

Em 1990, o hotel se tornou patrimônio efetivo do município.

Em 1992 foi fechado, pois os funcionários da Emcatur entraram na justiça penhorando os bens do estado, já que não havia recebido os salários.

Em 1998, o hotel foi considerado patrimônio púbico histórico estadual.

Em 2004, o governo do estado liquidou a dívida com os funcionários. O movimento foi liderado pelo escritor e jornalista Cacau Monjardim.

Em 2009, foi feito um acordo e o hotel ficou liberado para a gerência da prefeitura, que fez parceria com a Amocentro e Apromag.

 

Local vai virar centro cultural para shows e exposições

 

Atualmente o prédio do Radium Hotel funciona sob a administração municipal, com o apoio da Associação de Moradores do Centro (Amocentro), que realiza oficinas para a comunidade. No local há uma sala de regência de cultura da prefeitura e atividades culturais.

Porém, o hotel será reformado e contará com espaço para criação de museu e, na área externa, será preparado para receber pequenos shows e eventos culturais. Haverá na área interna um auditório com capacidade para 150 pessoas.

A reforma é uma parceria do governo do estadual por meio da Secretaria de Estado por meio da Secretaria de estado do Turismo, instituto de Obras Públicas do Espírito Santo (Lopes) e a Prefeitura. O investimento será de cinco milhões. A expectativa é que até o final do ano a reforma seja solicitada.

 

Fonte: Jornal A Tribuna, 2013
Autor: Cacau Monjardim
Compilação: Walter de Aguiar filho, Outubro de 2013

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