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Rua José Marcelino (ex-Rua Grande) – Por Elmo Elton

Sobrados da Rua José Marcelino - Acervo: IPHAN - Fonte: Diovani Favoreto

Era a rua principal de Vitória, situada na parte alta da cidade, sendo conhecida como Rua Grande, tendo tido, antes, a denominação de Rua de Santa Luzia, já que ali fora construída capela dedicada a essa virgem mártir, cuja festa a Igreja comemora a 13 de dezembro. Estendia-se do largo de Santa Luzia, fronteiro à capela, até a ladeira da Pedra. Dita capelinha, ainda existente, primeiro templo edificado em Vitória, datando do primeiro meado do século XVI, restaurada e tombada pelo Serviço Histórico e Artístico Nacional, marca o ponto inicial do povoamento da ilha.

Nessa rua, no sobrado n° 1, próximo à antiga Matriz, residiu Dom José Joaquim Justiniano Mascarenhas Castelo Branco. Chegou a Vitória a 3 de fevereiro de 1799, em visita pastoral que se prolongou por mais de um ano, já que esse prelado viajou, em lombo de burro, por toda a capitania, pregando e ministrando o crisma. O sobrado foi demolido, no governo de Aristeu Aguiar, quando da total remodelação da cidade alta.

A José Marcelino, que teve seu chão consideravelmente rebaixado, durante as obras de terraplanagem, contava, até fins da década de 20, com vários sobrados, enfileirados, "as sacadas guarnecidas de gradis de ferro batido, apainelados, cujos parapeitos se rematavam com pinhas de vidro colorido". Iguais sacadas tinham os sobrados da Rua Duque de Caxias. O museu Solar Monjardim conserva algumas dessas "pinhas de vidro colorido" não propriamente de vidro mas de cristal lavrado, algumas espelhadas, guardando, também ali, outras facetas em opalina.

Dos seus antigos sobrados restam dois apenas: — os de n°s 197 e 203/205, tombados pelo SPHAN (atual IPHAN), sendo estes os únicos exemplares de como eram as construções (residenciais) coloniais de Vitória. No primeiro deles funcionou, por muito tempo, a Sociedade de São Vicente de Paulo, e no segundo, a escola particular do professor Amâncio Pereira, quando ali morador.

De suas edificações do começo deste século, tinham destaque o Palácio Episcopal, construído sob a orientação de Dom Fernando de Souza Monteiro, 2° bispo do Espírito Santo, infelizmente demolido para dar lugar a inexpressivo edifício, e o Externato Júlia Pena, que, fundado em 1925, funcionou até fins da década de 30, em imóvel de propriedade dos padres lazaristas, conservando-se ainda de pé, embora sem a aparência anterior, em decorrência de alterações no terreno.

Residiram na José Marcelino, até os anos 40, quando nada, as famílias Balbi, Lamônica, Miguel, Carvalho, Rebuzzi, Álvares, Dantas, a musicista Erothildes Rezendo, também monsenhor Luiz Cláudio de Freitas Rosa, vigário geral da Diocese.

O patrono, José Marcelino Pereira de Vasconcellos, nasceu em Vitória, a 1° de outubro de 1821. Ainda antes da maioridade, ocupou o cargo de procurador da Câmara Municipal de sua cidade, passando, em seguida, a trabalhar na Assembléia Provincial. Foi, por eleição popular, juiz de paz, vereador e deputado provincial, cargo em que se reelegeu. Em 1853, transferiu residência para o Rio de Janeiro, ali exercendo a profissão de guarda-livros, mas, anos depois, retornou a Vitória, onde passou a advogar por provisão, aposentando-se no cargo de diretor da Instrução Pública, tendo, anteriormente, exercido outras funções de relevo. Publicou inúmeros trabalhos, dentre os quais Jardim Poético, em dois tomos, impressos em Vitória, a primeira série em 1856 e a segunda, quatro anos depois; Seleta brasiliense, também em dois tomos, editados, no Rio de Janeiro, pela Tipografia do Diário do Rio de Janeiro, o primeiro volume em 1868 e o segundo, em 1870; Catecismo histórico e político, seguido de máximas e pensamentos de diversos autores, em 1859, e Ensaio sobre a história e estatística da província do Espírito Santo, em 1857, estampando belo retrato litográfico do autor (249 págs.).

Membro de várias entidades culturais do País, foi agraciado com a Imperial Ordem da Rosa, no grau de cavaleiro, tendo falecido na cidade do Rio de Janeiro, a 26 de novembro de 1874. Patrono da cadeira n° 13 da Academia Espírito-santense de Letras.

 

Fonte: Logradouros antigos de Vitória, 1999 – EDUFES, Secretaria Municipal de Cultura
Autor: Elmo Elton
Compilação: Walter de Aguiar Filho, outubro/2017

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