Morro do Moreno: Desde 1535
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Rua Santa Clara

Na foto vê-se o Palácio das Águias construído por Nestor Gomes (1920-1924)

Situa-se no morro de igual denominação. A abertura dessa rua data do tempo em que a Companhia Torrens foi contratada para concluir as obras do aterro do Campinho, — aterro que propiciou o aparecimento de várias artérias, nas imediações do Parque Moscoso. No governo de Nestor Gomes (1920-1924) construiu-se, ali, um palacete, para residência presidencial, a que chamaram "Palácio das Águias", visto que, no alto de sua frontaria, via-se, esculpida, uma grande águia, de asas abertas, como que pronta para voar. O prédio era "de horrível estilo, de janelas curvas e colunas gregas", tal como conheci.

Em 1905 Dom Fernando de Souza Monteiro, coadjuvado pela irmã Luísa Pirnay e Valdemiro da Silveira, resolveu fundar um asilo, para meninas órfãs, a que deram o nome de Orfanato Irmã Luisa, passando o mesmo a funcionar anexo à Santa Casa de Misericórdia, sendo depois transferido, no governo de Florentino Avidos, para o "Palácio das Águias", já então com as adaptações necessárias ao melhor acolhimento das órfãs. Recebeu o asilo, a esse tempo, nova designação: — Orfanato Santa Luisa, mudando de nome, mais tarde, isto é, no governo de Jones dos Santos Neves, para Obra Social Santa Luísa. A religiosa que, durante anos seguidos, dirigiu essa obra, ou seja a Irmã Luísa Pirnay, também a primeira Superiora da Santa Casa de Misericórdia, faleceu, em Vitória, a 13 de agosto de 1943. A Obra Social Santa Luísa agora já não existe, destruído parcialmente o "palácio", passando a funcionar ali a Escola de 1° grau "Maria Ericina Santos".

A Rua Santa Clara, que conta com belas residências e modernos edifícios de apartamentos, dá acesso à primitiva caixa d'água de Vitória, construção iniciada em 1908.

Por que morro de Santa Clara?

— Os franciscanos, chegados a Vitória em 1589, construíram, pouco depois, igreja e convento em um outeiro de onde avistavam outro de menor altura, daí que o apelidaram de Morro de Santa Clara, em homenagem à grande colaboradora de São Francisco de Assis, da qual possuíam bela tela, afixada no refeitório do convento, hoje pertencente ao acervo do Museu Solar Monjardim, em Jucutuquara.

Santa Clara nasceu em Assis, na Umbria, em 1194, no tempo de São Francisco, o homem da pobreza. Aos dezoito anos, comunicou ao patriarca o seu desejo de abandonar o mundo e consagrar-se ao serviço de Deus. No dia 19 de março de 1212, na igreja da Porciúncula, Francisco corta os cabelos de Clara e dá-lhe o hábito de penitente. A família revolta-se, mas a resolução estava tomada. Entrou no convento das beneditinas de Assis. Quinze dias depois, sua irmã Inês pede-lhe para ficar em sua companhia. A indignação do pai é tanta que vai arrancar a moça à força. Mas, em vão. Uma casa contígua à igreja de São Damião, reparada por São Francisco, foi a primeira sede da Ordem das freiras franciscanas, a que se deu o nome de clarissas, em homenagem à fundadora, sob cujo olhar cresceu e se desenvolveu o que era apenas um pugilo de virgens.

A mando do Imperador Frederico II, os sarracenos devastavam a Itália. Nas suas carreiras e assaltos, chegaram até Assis, e, depois de a terem pilhado, escalaram os muros do convento para roubá-lo. Avisada da profanação iminente, Clara, que, muito doente, aguardava o leito, pede às irmãs para levá-la ao altar do SS. Sacramento. Toma nas mãos trêmulas a custódia com a hóstia consagrada e, num apelo que saía do íntimo do coração, brada a Jesus: "Senhor, quereis entregar aos infiéis estas vossas servas indefesas, que nutri com o vosso amor? Vinde em socorro de vossas filhas, pois não posso defendê-las". Mal acabava a oração, ouviu-se uma voz: "Serei vossa proteção, hoje e sempre". Um pânico apoderou-se dos invasores que, em desordem, fugiram, atropelando-se, caindo, machucando-se, e loucos de raiva, e tontos de pavor, feriam-se, gritavam, rolavam por terra, parecendo tomados de uma possessão demoníaca.

Clara morreu a 12 de agosto de 1253.

 

Fonte: Logradouros Antigos de Vitória, 1999
Autor: Elmo Elton
Compilação: Walter de Aguiar Filho

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