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São Mateus

Casario de São Mateus junto ao porto

Se dependesse da fé dos negros que, na verdade, deram grande contribuição ao início de sua colonização, o município hoje poderia de chamar São Benedito, em lugar de São Mateus.

Prevaleceu, porém, a imposição da Igreja que, na época, exercia grande poder sobre a corte. Na verdade, a presença do padre José de Anchieta na região é que teria sido a causa da denominação atual, ratificando o "desejo imposto" pela realeza.

Consta nos registros históricos que o padre José de Anchieta, realizando trabalho missionário na capitania do Espírito Santo, teria feito uma parada às margens do Rio Kiri-Karé (Cricaré), tendo celebrado missa por alguns náufragos. Essa missa teria acontecido no dia 21 de setembro de 1596, consagrado a São Mateus. Feita a troca do nome do rio, consolidou-se o nome da Aldeia que, já em 1583, era conhecida por São Mateus.

 

Cultura Negra

Apesar de algumas manifestações de arte popular terem se perdido no tempo, muitas delas se mantêm até hoje, literalmente, resistindo às adversidades. Há registros históricos de grupos como Marujada, Pastorinhas e Baile do Congo, por exemplo, que não mais existem.

Os dois primeiros ainda existem em Conceição da Barra, mas os remanescentes, como os grupos de Jongo e de Reis-de-Boi permanecem ativos e, frequentemente, são renovados. A prática de capoeira também é bastante expressiva no município.

Muito embora tenham sido influenciadas pela cultura européia, estas manifestações trazem em escala bem maior a marca da cultura negra, que predomina na arte popular mateense.

O Jongo é o mais tradicional ritual de louvor a São Benedito, com registros que chegam a dois séculos, sempre promovidos pelos pretos devotos do santo. Os dois grupos mais antigos são o Jongo de São Benedito e o Jongo Menino Jesus de Praga.

Sua data de referência é o dia de São Benedito (27 de dezembro), começando sua manifestação no dia 23, quando as mulheres vão até a igreja do padroeiro para buscar a bandeira do santo. No dia 25, à tarde, o grupo sai em cortejo até a área da igreja, entoando cânticos de louvor e conduzindo um mastro com a bandeira do santo.

O mastro fica ao lado da porta princiapl da igreja, enquanto a bandeira é levada ao altar-mor, onde se realiza o ritual de saudação. Ao retornarem à área externa, os cantadores realizam a Fincada do Mastro de São Benedito ao lado da igreja, de onde ele só sairá no dia 20 de janeiro seguinte.

 

Fonte: Jornal A Gazeta (setembro/2005)
Compilação: Walter de Aguiar Filho, maio/2012

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