Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

Um Estado virtual

Bandeira do Estado União de Jeová

Udelino Alves de Matos, retirante do sul da Bahia, chegou ao povoado de Cotaxé, em Ecoporanga, aproximadamente em 1940. Como milhares de outros lavradores, transformou-se em posseiro de terra. Movido, porém, pelo senso de justiça e pelo senso de oportunidade, acabou assumindo o papel de líder dos camponeses pobres na luta contra os ricos fazendeiros e seus pistoleiros.

Para corrigir distorções nas questões de posse de terras, o baiano Udelino organizou os lavradores em um movimento que misturou a questão fundiária com a pregação religiosa. Com discursos fundamentados na Bíblia, Udelino prometia conquistar terras, criar uma sociedade mais fraterna, justa e muito religiosa, um verdadeiro paraíso.

Mas o líder os agricultores foi além. Sugeriu que se criasse o Estado União de Jeová. Nesse novo estado, a população seria formada somente por lavradores. Com esse objetivo em mente, um abaixo-assinado foi elaborado e o próprio Udelino, em 1952, protocolou o documento, no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro. A petição estava dirigida a Getúlio Vargas, o "Pai dos Pobres", que governava o país naquele momento.

Sem esperar a resposta do abaixo-assinado, os jeovenses - cerca de 850 posseiros - começaram a organizar o "novo Estado". Uma bandeira foi confeccionada: era verde com uma faixa branca diagonal. Um hino foi composto, exaltando a construção de "um mundo novo, de paz, amor, liberdade, onde vivia feliz o povo, igual na felicidade, tendo oficinas e escolas, onde ninguém peça esmolas, nem sofra necessidades".

O distrito de Cotaxé foi escolhido para ser a capital provisória do virtual Estado. Lá, protegida por trincheiras, foi erguida a Casa de Tábuas como sede do governo. Deste "rancho", verdadeiro quartel-general, Udelino começou a despachar. Por meio de bilhetes, fazendeiros foram ameaçados de morte e intimados a abandonarem o território de União de Jeová.

O discurso de Udelino estava transformando a região em uma Nova Canudos, despertando o ódio dos fazendeiros e chamando a atenção das autoridades.

Em 1953, o governador do ES, Jones dos Santos Neves mobilizou as tropas da Polícia Militar e despachou-as para a região. O "exército" jeovense foi acuado por uma ação conjunta das forças policiais de Minas Gerais e Espírito Santo. A batalha dos jeovenses foi perdida: O Estado União de Jeová foi destruído, antes mesmo de entrar no mapa. Udelino passou a viver foragido da polícia e nunca mais se ouviu falar dele.

 

Fonte: História do Espírito Santo - Uma abordagem didática e atualizada 1535 - 2002
Autor: José P. Schayder

Compilação: Walter de Aguiar Filho, dezembro/2010

História do ES

Ano de 1823 – Por Basílio Daemon

Ano de 1823 – Por Basílio Daemon

É ordenado por S. M. o imperador o Sr. D. Pedro I à Junta Provisória, a posse de terrenos à beira-mar, por concessão já antecedentemente feita pela Câmara Municipal 

Pesquisa

Facebook

Leia Mais

Quarto Minguante – Marcondes de Souza e Bernardino Monteiro

O período de 1912 ao começo de 1920 corresponde ao princípio e ao fim da crise internacional, oriunda da primeira guerra, que rebentou em julho de 1914 e teve armistício em novembro de 1918

Ver Artigo
Jerônimo Monteiro – Urbanismo em Perspectiva

O volume de terra, material escasso na ilha de Vitória; para aterrar o banhado, não preocupou o governo de Jerônimo Monteiro 

Ver Artigo
As guerras imperiais e seus reflexos no Espírito Santo – Por João Eurípedes Franklin Leal

O Ururau era em brigue de transporte, armado com seis bocas de fogo, que próximo a barra da baía de Vitória combateu por hora e meia um barco argentino o “Vencedor de Ituzaingu”

Ver Artigo
O recrutamento do Ururau - 1827

Gravíssimo incidente abalou o Espírito Santo quando da passagem, pelo porto de Vitória, do brigue de guerra Ururau, em 1827

Ver Artigo
Finda o Governo do Primeiro Donatário - Por Mário Freire

Confiou o governo a Belchior de Azevedo, como Capitão, com os poderes e a jurisdição que o donatário exercera: firmou esse ato na "vila de N. S. da Vitória"

Ver Artigo