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A história do escudo (logo) do IHGES

Logo do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo

Algo que tem me incomodado, nos últimos tempos, é origem do escudo (não é brasão, pois não segue as normas heráldicas) do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo. Como não existe (e nunca existiu...) referência a quaisquer símbolos no Estatuto, quer escudo, bandeira ou, mesmo, cores, resolvi pesquisar. Os livros de atas antigas era a opção lógica.

A primeira revista do Instituto, editada em 1917, trás, em sua capa, um símbolo redondo, contendo uma imagem estilizada do Convento da Penha, mais à direita, com duas árvores à esquerda, sobre uma plataforma, com o morro abaixo, e folhas grandes, na parte inferior.

A revista número dois, editada apenas em 1922, já apresenta o escudo, tal e qual o conhecemos ainda hoje. Ficava evidente que, se oficializado, deveria ser antes de 1922.

Assim sendo, a ata datada de 18 de junho de 1921, foi a que primeiro tratou, oficialmente, do assunto. Deduz-se que já havia um escudo em uso, pois “que nada constando oficialmente quanto ao que ora está se usando”, pede o presidente Archimino Martins de Mattos que a assembléia se pronuncie. É apresentado então, pelo consócio José Espíndula Batalha Ribeiro, futuro presidente do Instituto, “um schema que consta de um escudo, tendo no claro superior, uma estrella representando o estado, no claro inferior a miniatura do antigo Convento da Penha, e uma faixa transversal com as iniciais I.H.G.E.S. Após o presidente de honra Antonio Francisco de Athayde historiar os motivos para a adoção desse escudo (os quais, infelizmente, não constam do corpo da ata), o presidente nomeia José Espíndula Batalha Ribeiro, Antonio Francisco de Athayde e Octávio Alves de Araújo “para resolver sobre o assumpto”.

Estiveram presentes nessa reunião os seguintes consócios: Archimino Martins de Mattos, Antonio Francisco Athayde, José Espíndula Batalha Ribeiro, João Calmon Adnet, Aristóteles Silva Santos, Adolfo Fraga, Francisco Rufino, Arthur Lourenço de Araújo Primo, Alarico de Freitas, Octávio Alves de Araújo, Levino Chacon e Henrique O’Reilly de Souza.

Já na ata de 09 de julho de 1921, Octávio Alves de Araújo reapresenta o mesmo escudo, mas com as iniciais I.H.G.E.E.S, na faixa transversal. Levino Chacon, então, sugere a supressão de um “E”, pois o nome oficial do Instituto não contempla “Estado”, como parte de seu nome. Sugere, também, que se aprove o modelo apresentado por Adolfo Fraga, que inclui “uma depressão côncava no alto e cortes nos extremos superiores”. Posto em votação, são aprovadas as alterações propostas, mas Elpídio Pimentel sugere “o emblema voltar à comissão, afim della apresentar um relatório explicativo das partes concernentes do emblema”, o que é aceito.

Nessa reunião tivemos a presença Dops seguintes consócios: Archimino Martins de Mattos, Aristóteles Silva Santos, Adolfo Fraga, Francisco Rufino, Arthur Lourenço de Araújo Primo, Alarico de Freitas, Octávio Alves de Araújo, Levino Chacon e Henrique O’Reilly de Souza, Elpídio Pimentel (também representando Aurino Quintaes), Adolfo Fernandes de Oliveira e o Pe. Elias Tommasi.

O relatório previsto, aparentemente, não foi apresentado, pelo menos, não em reunião registrada em ata (verificação até 1925). Se o foi, posteriormente, está perdido, pois não se localizou livros de atas no período seguinte.

Sem essa apresentação detalhada, nunca houve a inclusão do escudo (emblema, na época) no estatuto do Instituto. Essa descrição, provavelmente, determinaria as cores que teria tal escudo, vez que foi apresentado apenas em preto-e-branco, e assim permanece até a presente data, posto que foram oficializadas em 1982, quando do questionamento efetuado por Nilo Martins da Cunha, durante uma reunião: “levantou o problema sobre se o escudo é preto-e-branco ou colorido, ficando deliberado que é preto-e-branco, e será feito pelo secretário adjunto Elmo Elton”. Essa reunião teve a presença dos seguintes associados: Alberto Stange Júnior, Elmo Elton Santos Zamprogno, Ormando Moraes, Nilo Marins da Cunha e Renato José Costa Pacheco. Estes os que decidiram as cores do Instituto. A facção pelo secretário Elmo Elton, se concluída, nunca foi apresentada.

Assim determinado, temos aí a gênese do escudo que tem representado o Instituto, praticamente desde sua fundação, e sua origem já não mais me incomoda. Tenho dito.

 

 

Fonte: Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo –Nº 63 /2009
Autor: Paulo Stuck Moraes
Compilação: Walter de Aguiar Filho,novembro/2011

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