Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando desde 2000 a Cultura e História Capixaba

Cidade Sol - Vera Maria da Penha

Catraieiros de Vitória

O sol mergulhando claridade nas águas mornas da baía.

Debruçadas na murada protetora, as jovens estudantes, envergando seu uniforme azul e branco, aguardam a companheira que vem de bote impulsionado pela força dos braços de catraieiro experiente em realizar, com segurança, a travessia.

Assim que a menina vence o último degrau da escadinha de cimento, ali construída para facilitar o acesso dos passageiros à ilha, sem molhar os pés, saem todas em algazarra, rumo ao colégio, no alto da cidade. Saia de tergal azul marinho, cuidadosamente feita com preguinhas bem marcadas; blusa branca de cambraia, de mangas compridas; jaqueta complementar, do mesmo tecido da saia, pontuada por uma carreira de pequenos botões em cada lado. Cada botão indica um ano escolar vencido; gravata pendurada amarrando o detalhe do vestuário escolar.

As meninas tagarelando, rindo, saltando buracos na calçada de pedra portuguesa, entrando furtivamente na Casa Esperança para um flerte retraído com balconistas engravatados.

O sol expulsando a sombra dos edifícios mais altos; o sol coroando de luz o cume do Piedade; o sol se estendendo por toda a Praça da Catedral.

O sol subindo no azul do céu, tomando conta do espaço, cobrindo de ouro o azul e branco da veste das estudantes, derramando luz por toda a ilha, ditando inspiração ao poeta: "Cidade sol com o céu sempre azul".

O vento nordeste impulsionando, com leveza, as águas da baía, o bote de volta ao cais do Paul, catraieiros respeitosos levando e trazendo gente para a Ilha do Mel, Ilha do Vento Sul, Cidade Presépio, Cidade Sol.Vitória!

 

Fonte: Vitória, Cidade Sol – Escritos de Vitória nº 25, Academia Espírito-Santense de Letras e Secretaria Municipal de Cultura, 2008
Autora: Vera Maria da Penha
Nasceu em Viana, ES, em 1943. Formada em Letras e Direito. Professora aposentada, autora dos livros NICAU e A CASA DA PEDRA.
Compilação: Walter de Aguiar Filho, janeiro/2020

Pesquisa

Facebook

Leia Mais

Ano Novo - Ano Velho - Por Nelson Abel de Almeida

O ano que passou, o ano que está chegando ao seu fim já não desperta mais interesse; ele é água passada e água passada não toca moinho, lá diz o ditado

Ver Artigo
Ano Novo - Por Eugênio Sette

Papai Noel só me trouxe avisos bancários anunciando próximos vencimentos e o meu Dever está maior do que o meu Haver

Ver Artigo
Cronistas - Os 10 mais antigos de ES

4) Areobaldo Lelis Horta. Médico, jornalista e historiador. Escreveu: “Vitória de meu tempo” (Crônicas históricas). 1951

Ver Artigo
Cariocas X Capixabas - Por Sérgio Figueira Sarkis

Estava programado um jogo de futebol, no campo do Fluminense, entre as seleções dos Cariocas e a dos Capixabas

Ver Artigo
Vitória Cidade Presépio – Por Ester Abreu

Logo, nele pode existir povo, cidade e tudo o que haja mister para a realização do sonho do artista

Ver Artigo