Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando desde 2000 a Cultura e História Capixaba

Lição, UFES 65 Anos - Antonio Rocha Neto

Brasão UFES

Ela tombou já faz alguns anos. Olhei, da janela da sala do Departamento de Pesquisa da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação da UFES, onde trabalho, e me entristeci em vê-la no chão, por não ter resistido aos fortes ventos da noite de tempestade. "Daqui a alguns meses será apenas um tronco apodrecendo", pensei comigo. Ledo e grato engano! Ontem, passados já quase um ano de sua queda, a visitei de perto. Continua lá, deitada, próximo à pista, entre a Reitoria e o Centro de Línguas, deitada e viva, com suas raízes fortemente cravadas em solo fértil, e recebendo a frequente e alegre visita de canários da terra, cujo amarelo das asas se confunde com o amarelo de algumas de suas folhas e se mistura ao verde de outras tantas, compondo uma visão extasiante!

Não sou botânico, e ignoro que espécie de árvore é aquela. Mas não importa! De alguma maneira sei de que espécie ela é. É daquela espécie de criatura que luta pela vida, se agarrando a ela até o último suspiro. É daquela espécie de ser que se lança ao desafio de permanecer vivo, lutando, até o fim, que sabe que virá, como vem para tudo e para todos, mas que deve esperar até que suas forças estejam enfim esgotadas.

Estamos, nós e aquela árvore, no interior de uma Universidade, local onde as pessoas vêm dar e receber lições. E que maravilha podermos ver que há professores não só nas salas de aula! Que gratificante saber que as crianças, os jovens e os adultos que caminham entre o ponto de ônibus e o Centro de Línguas da UFES, com a ânsia de poderem aprender um novo idioma, podem aprender, se estiverem de olhos verdadeiramente abertos, o belo idioma que a natureza nos pode ensinar, sem letras, sem acentuação, sem diálogos, sem provas. Um idioma de cores, de luzes, de folhas, raízes, sons, de tudo que nos toca os sentidos, de tudo que nos provoca a imaginação, de tudo que nos torna parte do organismo vivo, que é nosso planeta, nossa mãe Terra, que tanto tem a nos ensinar!

Saibamos aproveitar as melhores aulas que podemos ter no principal curso que podemos fazer em nossas vidas, do qual saímos sem diploma, mas magnificamente formados!

 

Fonte: UFES: 65 anos – Escritos de Vitória, 33 – Secretaria de Cultura da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), 2019

Conselho Editorial: Adilson Vilaça, Ester Abreu Vieira de Oliveira, Francisco Aurélio Ribeiro, Elizete Terezinha Caser Rocha, Getúlio Marcos Pereira Neves

Organização e Revisão: Francisco Aurélio Ribeiro

Capa e Editoração: Douglas Ramalho

Impressão: Gráfica e Editora Formar

Foto Capa: David Protti

Foto contracapa: Acervo UFES

Imagens: Arquivos pessoais

Autor: Antonio Rocha Neto

Graduado em Economia e Filosofia pela Ufes, e Mestre em Filosofia pela UFRJ. Trabalha como economista na Ufes. Membro da Academia de Letras de Vila Velha.

Compilação: Walter de Aguiar Filho, janeiro/2020

Variedades

Comercinho

Comercinho

Comercinho do Itaúnas não é um centro urbano muito divertido, mas sempre tem alguma coisa capaz de meter inveja a qualquer cidadão do Rio, de Nova York ou de Paris

Pesquisa

Facebook

Leia Mais

UMA FEIRA, COM AMOR - Por Luiz Sérgio Quarto

Vá, mesmo que não tenha vivido no interior. Mas vá com a seguinte condição: a de expor o seu interior. Feito isso, será bem-vindo. Ou melhor: festejado

Ver Artigo
Cienfuegos no bar do Valfredo na Vila Rubim - Por Gilson Soares

O relógio na parede do Bar da Vila marcava meio-dia. Era a hora. O bando de bêbados inventou de enumerar em coro, sob a batuta de Cienfuegos, as batidas do velho relógio 

Ver Artigo
Bananas, Curiós e Peroás - Por Marien Calixte

Ali chegavam as canoas vindas de Caçaroca, Jucu, Tanque, Cariacica, via rio Marinho. Também vinham do rio Santa Maria.

Ver Artigo
Bota Muito - Por Cariê Lindenberg

Era um ritual quase religioso: frequentar o botequim do mercado da Vila Rubim apelidado pelo pessoal de, "Bota Muito", por razões que acredito óbvias

Ver Artigo
Frases de Caminhão - Por Eurípedes Queiroz do Valle

As 10 mais espirituosas Frase de Caminhão do Espírito Santo, 1971

Ver Artigo