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Alerta contra a desertificação - Por Augusto Ruschi

Augusto Ruschi

Ruschi avisava, em 1940, que boa parte do ES já estava sob risco de se tornar um grande deserto.

Logo que começou a mapear o ecossistema capixaba, Augusto Ruschi percebeu a tendência à desertificação em algumas regiões, por ser região tropical com latossolos (solos de origem de pedra). Retirando-se a cobertura florestal, a erosão carrega tudo, exatamente como na África. Alerta que se não houvesse reflorestamento, o Espírito Santo se tornaria um deserto.

A advertência é de 1940. Ruschi foi chamado de lunático. Passou a vida inteira tentando mostrar ao governo que era preciso reflorestar e preservar a natureza. Acabou criando o projeto Mata Atlântica no Brasil. Seu filho André lembra que os estudos atuais confirmam tudo o que o pai dizia sobre desertificação. Hoje, as pesquisas são complementadas por fotos de satélites.

Ruschi calculava que 15% do Espírito Santo já eram um pré-deserto. Mês passado, um mapeamento divulgado mostrava que 15,5% do Estado estão desertificados. “O erro foi de meio por cento”, Observa André Ruschi, que o acompanhou por longos anos, absorvendo os ensinamentos, a sabedoria e a dinâmica filosófica do pai.

André segue pesquisando e elaborando teorias e metodologias sobre educação ambiental para crianças, projeto desenvolvido na Estação Biologia Marinha, em Santa Cruz, criada por Ruschi em 1970. O trabalho mantém a essência de Augusto Ruschi: o amor pela natureza, a pesquisa desenvolvida no campo e a necessidade de contribuir para a mudança indispensável à sobrevivência da vida no planeta. Algo como o tripé da Revolução Francesa, lembrado por Ruschi na inauguração: Liberté, Egalité, Fraternité.

Para André Ruschi, este é o momento da mudança. “Pela primeira vez, temos que nos defrontar com a real ameaça de extinção da raça humana e de toda a vida no planeta. Por isso, as pessoas estão se reunindo para decidir o que fazer quanto à questão ambiental”. É de opinião que “o fim de aproxima, com velocidade: vão acabar as matérias-primas, os adubos químicos, os combustíveis fósseis e as reservas naturais. Convivemos com a loucura nuclear, o envenenamento do ambiente, a contaminação do lixo, a fome desesperadora. O mundo está entrando em convulsão. Daí a importância de mudarmos a relação do homem com o seu meio ambiente, através do trabalho com as crianças, que são a renovação da vida humana e do planeta”.

Para ele, é preciso evitar o colapso da vida na Terra. Uma nova ética ecológica, construída a partir da educação ambiental, poderá evitar um desastre. “Existem saídas. Elas estão ao alcance de nossa inteligência e sensibilidade. Existem homens que sabem quais são as saídas e se propõem transmitir e intercambiar estes conhecimentos”.

André lembra palavras do pai: “O número de homens na Terra não será determinado pelas leis do homem, mas sim pelas leis da natureza. Certa gente vai me responder: no momento chegado, o homem saberá criar novas fontes de alimentação? Que sabeis disto e que sabeis do momento? Alguns me dirão ainda: Depois de nós, o dilúvio!!! Certamente, exatamente o dilúvio. E é justamente porque pode ser previsto, que nós pedimos aos outros que nos ajudem a evitá-lo”.

 

Fonte: Jornal A GAZETA de 24/12/1999
Acervo: Casa da Memória de Vila Velha
Compilação: Walter de Aguiar Filho, junho/2012 



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