Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

Carta de doação da Ilha de Vitória aos jesuítas

Ilha de Vitória, Espírito Santo - Brasil

O documento abaixo foi retirado do livro “História da Companhia de Jesus no Brasil”, de Serafim Leite S. I., um dos mais importantes escritores sobre os jesuítas. Um dos trechos da carta descreve a doação de terras da Ilha de Santo Antônio, de Duarte de Lemos, para o padre Manoel de Paiva, em 1552. “(...) Faço saber a quantos esta carta de sesmaria virem, que Manoel de Paiva, padre da missa da Companhia de Jesus (...), em como Duarte de Lemos lhe dera um seu assinado para que, na sua ilha de Santo Antônio, e a terra que ele tinha nesta dita capitania, pudessem tomar toda a terra que lhes fosse necessária para casas e mantimentos”.

 

Vitória, 4 de maio de 1552

 

Textus

 

1.  Petente P. Emmanuele de Paiva nomine P. Emmanuellis da Nóbrega, tractus terrarum donatur Collegio S. Iacobi in Praefectura Spiritus Sancti. – 2. Instrumentum legale.

 

 

1.  Bernaldo Chanches de La Pimenta, capitão nesta Capitania do Spiritu Sancto pelo Senhor Vasco Fernandez Coutinho, capitão e governador en ella, etc., faço a saber a quantos esta carta de sesmaria virem que Manoel de Paiva, clerigo de missa da Companhia de Jesus, me disse que porquanto elle ora tinha cargo da casa, ora novamente ordenada nesta Capitania do Spiriti Sancto, por mandado do Pº. Manoel da Nobrega, reytor geral destas partes do Brasil, em como Duarte de Lemos lhes dera hum seu assinado pera que na sua ilha de Sancto Antonio, e terra que elle tinha nesta dita Capitania do Spirito Sancto podessem tomar toda a terra que lhes fosse necessária pera casas e pera mantimentos pera a dita casa, me pedia por amor de Nosso Senhor e ouvesse por bem de lhes querer dar huns montes maninhos que jazião em Jacurutucoara que partião com Diogo Fernandez da parte do sul cortando ao cume da serra, e pela parte do nordeste com Jeronimo Diaz, e em riba da serra partia com Diogo Alvarez e Manoel Ramalho, assi que todas aquellas terras que estavão en todo aquelle limite e não erão dadas, e assi outra terra que partia com Gonçalo Diaz por ametade do meyo por hum brejo acima, e assi partia com Fernão Soarez pouco mais ou menos pella banda do susueste, e assi hum pedaço de terra que foy do Caldeira que estava da banda dalém do rio, que partia com Jeronimo Diaz, conforme ao que se achasse no Livro das Achadas, e assi hum bananal que foi de Afonso Vaz, o qual está da banda dalém do rio ao longo do campo: pedindo-me en nome da dita casa de São Tiago e Collegio dos Meninos lhes desse os ditos matos pellas conforntações e divisõis per elle decraradas, e visto por mym seu dizer e pedir por ser serviço de Deus lhes dei as ditas terras e matos por elle decraradas,/ e lhe mandei passar esta minha carta pella qual mando que elle en nome do dito Collegio aja posse, senhorio dos ditos matos e terras, e o dito Collegio pera sempre faça todo o que nellas quiserem, e por bem tiverem, como cousa sua própria isenta, sem pagarem foro nem tributo algum, salvo dízimo a Deus do que nellas ouverem se com direito ho ouverem de pagarem. Há qual sesmaria lhe assi dou ao dito Collegio con tal condição e entendimento que aproveitem as ditas terras e as mandem romper e frotificar da feitura desta minha carta a cinquo annos primeiros seguintes, e não no fazendo assi se darão as terras que aproveitadas não for a outrem que as aproveite e as arompa, e porém lhe será leyxado algum logradouro do que aproveitado não estiver conforme ao direito, e mando que assi se cumpra e guarde e lhe não seja posto duvida alguma.

 

Feita na Villa de Nossa Senhora da Vitoria aos quatro dias do mês de Mayo. Antonio de Magalhães, scrivão, a fez, de mil e quinhentos e cincoenta e dous anos. Bernaldo de La Pimenta. Magalhães.

 

[475v] Registrada no Livro dos Registros desta Capitania a f. 47-48 por mym Antonio de Magalhães, scrivão da provedoria e almoxarifado. Oje, quatro dias de maio de 1552 annos.

 

Antonio de Magalhães

 

Fonte: Jornal A GAZETA DE 23/10/2004
Autor e Pesquisador: Estilaque Ferreira, Professor de História da UFES
Compilaçâo: Walter de Aguiar Filho, outubro/2012 

Religiosos do ES

A vida de Frei Pedro Palácios

A vida de Frei Pedro Palácios

Após sua chegada, ele só foi encontrado pelos moradores três dias depois, descansando sob uma furna existente no sopé do morro, na margem da Prainha, que  ficou sendo sua primeira morada

Pesquisa

Facebook

Matérias Relacionadas

Doação da Ilha de Vitória a Duarte de Lemos

Mais uma vez a história do Espírito Santo traz “novos” fatos que favorecem o fim da cobrança da taxa de marinha na Ilha de Vitória

Ver Artigo