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Eletrificação Rural – Por José Hisbelo Campos

Hisbelo Campos e engenheiro da Eletrobrás e consultor do Banco Mundial para assuntos de eletrificação rural - Fonte: A Gazeta 10.04.1986

Hisbelo Campos destaca uso do sistema simplificado

A maneira mais fácil, prática e econômica de levar energia elétrica ao campo é através da utilização do sistema simplificado de eletrificação rural. O Brasil já despertou para este fato e o governo e empresas de energia estão adotando cada vez mais este sistema. A afirmação é do engenheiro eletricista José Hisbello Campos, da Eletrobrás, e há 7 anos consultor do Banco Mundial no Brasil para assuntos de eletrificação rural.

Para ele, o fator custo é o mais importante quando se decide pelo sistema monofásico para a eletrificação rural. Com este sistema, pode-se gastar, no Brasil, para implantar um quilômetro de rede elétrica, cerca de US$ 3 mil, enquanto que no trifásico, este custo chegaria a US$ 5 mil.

Em outros países e agora também no Brasil o barateamento da eletrificação rural está sendo obtido através da implantação do sistema Monofilar com Retorno por Terra (MRT), onde o fio neutro é substituído pela própria terra. Este sistema atende às necessidades dos produtores que possuem suas propriedades afastadas umas das outras. No Espírito Santo, este sistema já foi implantado no município de Castelo, onde foram atendidos mais de 20 produtores.

Uma vantagem adicional do MRT, segundo o consultor do Banco Mundial, é o acoplamento ao sistema do serviço de telefonia rural, através da instalação de equipamentos eletrônicos disponíveis no mercado. "Com isso, além da energia, o MRT também leva o telefone até à casa do fazendeiro".

Para José Hisbello, a eletrificação rural só será intensificada no dia em que for levada em conta a possibilidade econômica do futuro usuário, oferecendo a ele um serviço com preço compatível com seu poder econômico. Isto pode ser feito através da adoção de materiais mais baratos como utilização de cabo de aço, postes de madeira, transformadores pequenos e trabalho comunitário para a implantação destas redes rurais.

Ele explica que o cabo de aço tem uma resistência mecânica excepcional, permitindo ser estendido em vãos muito maiores do que os condutores de cobre ou de alumínio. "Em um quilômetro, onde deveriam ser colocados 12 postes para cabos convencionais, o cabo de aço exige apenas quatro".

Além disso, "utilizando-se postes de madeira tratada, que tem grande durabilidade e custam muito menos do que os postes de concreto, obtêm-se duas economias: com o custo do poste e com a diminuição do número de unidades necessárias para implantação de uma rede", explicou ele.

José Hisbello Campos insiste, porém, que o êxito da eletrificação rural através do sistema monofásico será conseguido com a redução de custos. "Este tipo de programa deve ser destinado para consumidores de baixa renda, dando condições para que o pequeno proprietário leve energia elétrica para a propriedade, o que vai proporcionar um aumento da sua produção".

Ele afirma que o sistema monofásico só obteve maior respeito, no Brasil, depois de experiências pioneiras no Rio Grande do Sul e no Paraná "e, hoje, estes dois Estados estão em grande vantagem sobre os outros em termos de eletrificação rural com o padrão simplificado".

José Hisbello estará participando do Encontro Estadual de Eletrificação Rural promovido pela Rede Gazeta de Comunicações, onde falará sobre a experiência dos Estados do Paraná e Rio Grande do Sul com o sistema monofásico.

 

Fonte: A Gazeta, 10/04/1986
Compilação: Walter de Aguiar Filho, março/2015

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