Morro do Moreno: Desde 1535
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Forte de São Francisco Xavier de Piratininga

Forte de Piratininga - Fonte: Acervo de Edward Alcântara

O Estado do Espírito Santo apresenta na História Militar Brasileira uma tradição singular – a de haver repelido, com sucesso, todas as tentativas alienígenas de invasão de seu litoral por força das armas. Isto desde que ali deitou as raízes da civilização portuguesa, no dia do Espírito Santo, de 1535, seu donatário Vasco Fernandes Coutinho que também de lá expulsou os indígenas em 1551, da ilha onde se localiza Vitória, nome dado em razão da vitória militar que então obteve.

Em 1560, sob inspiração de S. Tiago e com apoio numa peça de artilharia, os espírito-santenses impediram o desembarque do pessoal de dois navios franceses, fato repetido por outro navio francês mais tarde.

Face a estas ameaças o Convento da Penha, além de local de recolhimento espiritual, passa a ter excepcional valor militar como posto de observação na entrada da barra sobre grande extensão de mar à sua frente e de defesa militar da maioria da população contra ataques partidos do mar, à semelhança de um forte medieval. Aliás, foi o que ocorreu em 1583 com o pirata inglês Fenton que teve repelido seu ataque ao convento, com grandes perdas de seu pessoal a tiros de trabuco. Em 1592 o ataque do pirata Cavendish teve o mesmo destino e confirmou a tradição espírito-santense de haver repelido, até ali, todas as tentativas alienígenas de desembarque armado.

Em 1702, foi necessário complementar a defesa da entrada da barra. Foi erigido então forte de São Francisco Xavier de Piratininga ou da Barra, na entrada sul da baía do Espírito Santo, próximo a Vila Velha e no sopé do morro do Convento da Penha.

Durante mais de 60 anos o forte primitivo mandado erigir por D. Rodrigo da Costa, governador da Bahia, cumpriu sua destinação militar e geopolítica e confirmou a tradição espírito-santense de inviolabilidade territorial de suas praias por alienígenas.

A partir de 1763, com a invasão espanhola no Rio Grande do Sul, foi necessário fortificar o porto de Vitória, próximo ao do Rio de Janeiro, como elemento de discussão de possíveis tentativas de usá-lo como base de operações contra o Rio de Janeiro – a nova capital da Colônia.

O Forte da Barra foi ampliado, ganhou aspecto circular e foi dotado com 15 canhoneiras.

Restaurado o Rio Grande do Sul em 1776, com a reconquista da Vila de Rio Grande, seguida da assinatura do Tratado de Santo Ildefonso em 1777, o Forte da Barra entrou em progressiva desativação. Em 1857 ele vai figurar como fortificação de 3ª classe. Pouco depois passou à jurisdição da Marinha, como depósito e Escola de Aprendizes Marinheiros.

Hoje conservando muito das suas características originais, conforme planta de 1767 existente no arquivo do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, é dependência social do 38º Batalhão de Infantaria.

Mas, ali, voltadas para o mar, estão suas muralhas a canhoneiras mudas testemunhas dos sacrifícios, privações, raça, denodo e valor dos soldados de Portugal e depois do Brasil, que a construíram, guarneceram a defenderam anonimamente por quase três séculos, a custo de ingentes sacrifícios, tristeza e solidão, para assim ajudarem a preservar intocáveis e soberanas aquelas praias e nos legarem um país continente íntegro, soberano, unido, independente e nacionalmente cristão.

Merecem pois suas sagradas muralhas todo o respeito, por simbolizarem as glórias e a história de gente da terra espírito-santense e, sobretudo, por sua tradição singular de jamais, em tempo algum, permitir que alienígenas sentasse raízes em suas terras pela força de armas.

 

Fonte: Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo - Nº 56, 2002
Cláudio Moreira Bento
Compilação: Walter de Aguiar Filho, maio/2012 

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