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O Alardo – Por Adelpho Monjardim

Conceição da Barra onde ocorre a festa popular do Alardo, tradição folclórica ainda conservada com veneração pelo povo

Em o «Esboço Histórico dos Costumes do Povo Espírito-santense», do Padre Antunes de Sequeira, fomos buscar esta interessante festa popular, tradição folclórica ainda conservada com veneração pelo povo de São Mateus e Conceição da Barra. Assim a relata o Padre e historiador, um dos luminares das letras capixabas: «Por associação de idéias referirei à festa de São Sebastião, na Barra de São Mateus. Na véspera (19 de janeiro), ao lado da esbelta matriz, levantam grande barraca, fingindo em toda a circunferência uma bateria em que se acastelam os mouros com os seus capitães e soldados. À porta da matriz perfilam-se os cristãos, armados de espadas e escudos. A passo dobrado, dirigido pelo toque de tambores, dirigem-se ao santo, colocado em seu andor, fazem-lhe reverente vênia e vão tomando os seus lugares, em forma de combate. Hasteam-se os estandartes de ambos os partidos e os embaixadores trocam suas notas diplomáticas, expondo em versos as causas das suas controvérsias religiosas, a fim de chegarem a acordo. Os mouros recusam-se e declaram guerra. Segue a procissão no meio de encontros renhidos entre os combatentes uniformizados. Ao recolher-se a procissão os mouros apoderam-se do santo e o levam para a sua fortificação. Faz-se trégua até o seguinte dia. As quatro horas o exército cristão declara guerra. Renovam-se as cenas de um bem denodado combate. Cruzam-se as armas; as levas são mais animadas... Depois do trajeto, interrompido por lutas a detonação de tiros de pólvora seca, ao brandir micante das armas, ao avançar e retroceder pelo cruzamento das ruas, estando o santo no meio da praça, os cristãos o cercam por filas dobradas, e formado o quadrado, os mouros recuam e são der-rotados, no meio de uma salva de vivas, subindo ao ar as girândolas e foguetes que apregoam a vitória, arrasada a fortificação dos mouros que pedem perdão humilhados e são batizados, aspergindo-os o padre com água benta. Entram todos, fraternizados, para a igreja, onde se seguem os outros atos religiosos — Tantum ergo, Te Deum e a bênção do Santíssimo, recebido com profundo acatamento. O estandarte dos mouros é colhido, e desfralda-se no altar o dos cristãos triunfantes!

É preciso acrescentar que no dia 19, durante a noite, há grandes festejos na barraca dos mouros, guardada por sentinelas avançadas, e a qualquer rumor dos cristãos, bradam: — «Alerta! Inimigos em frente!...» Arrufam tambores e põem-se de prontidão em ar ameaçador. Todas as baterias estão iluminadas pelo fogo de tigelinhas...»

 

Fonte: O Espírito Santo na História, na Lenda e no Folclore, 1983
Autor: Adelpho Poli Monjardim
Compilação: Walter de Aguiar Filho, outubro/2015

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