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Revolta do Calhau

Capitão Vivaldi

O Espírito Santo já teve seu Zumbi dos Palmares. O tropeiro, mascate e jagunço mineiro José Calhau decidiu pôr fim à tirania de um homem que odiava os negros no município de Santa Teresa, em 1898.

Esse homem era José Luiz Vivaldi, um imigrante italiano, militar, com patente reconhecida pelo governo brasileiro. Em 17 de maio de 1893, ele foi nomeado Capitão da Terceira Companhia do Quinto Batalhão de Infantaria da Guarda Nacional, responsável pela região de Cachoeira de Santa Leopoldina. Ele odiava tanto os negros, que torturava e matava os negros da comunidade de São João de Petrópolis, em Santa Teresa. Vivaldi era um escravagista e racista extremado, que decidiu não cumprir a Lei Áurea, assinada pela Princesa Isabel em 13 de maio de 1888.

Poucos anos antes, em 1890, o capitão Vivaldi chegou a Barracão de Petrópolis e implantou seu domínio militar, caracterizado pela hostilidade e terror. Quem desobedecia às suas ordens estava assinando o atestado de óbito. Há informações de que na entrada de Barracão de Petrópolis, havia um aviso: “O negro que brotar no início da vila, não crescerá do outro lado.”. Nas terras de Vivaldi, os negros não eram livres.

O capitão manteve em suas terras o pelourinho - tronco onde os escravos eram chicoteados e torturados. O negro que tivesse a infelicidade de passar pela comunidade não vivia para contar. A exceção era o mascate José Calhau, que era mulato.

Coragem e astúcia foram fatores determinantes para que Calhau saísse vitorioso no confronto com Vivaldi. Nas idas e vindas a Barracão de Petrópolis, o tropeiro ficou sabendo dos horrores que o capitão impunha aos negros e decidiu que acabaria com a tirania de Vivaldi, preparando seu bando, de 30 homens, para o ataque. O plano chegou aos ouvidos de Vivaldi, que colocou sua milícia de 36 homens de plantão – o Batalhão 36.

O jagunço mineiro, com o apoio de um italiano simpatizante dos abolicionistas, também fora informado que Vivaldi descobrira sua intenção. Ele, então, espalhou o boato de que desistira do ataque.

A armadilha deu certo. Em 2 de novembro de 1898, Calhau e seu bando invadiram Barracão de Petrópolis, surpreendendo os capangas do capitão. Muitos da milícia dele morreram. Não houve baixas no grupo de invasores. O bando de Calhau incendiou casas e até o cartório da região foi destruído. Ainda hoje há dificuldades para conseguir informações sobre registros antes do ano de 1898 na região porque os livros foram queimados.

Calhau e seu grupo dominaram Vivaldi e decidiram dar ao capitão o mesmo tratamento dispensado aos negros. Vivaldi foi espancado e apunhalado diversas vezes. Com o objetivo de dar ao capitão uma morte lenta e dolorosa, Calhau decidiu atear fogo no sobrado de Vivaldi, para que ele fosse queimado vivo.

Depois de atear fogo, Calhau e seu bando deixaram Barracão e Vivaldi foi resgatado pelos capangas sobreviventes. Em seguida, ele foi levado para uma gruta, perto de onde está localizada a Escola Agropecuária Federal de Santa Teresa, por segurança. Lá recebeu tratamento médico e se recuperou. Mas, como seqüela, ficou com um defeito físico no braço direito, que o impedia de tocar sua própria testa. O capitão morreu em 9 de novembro de 1939, aos 83 anos. Seus restos mortais estão hoje em um túmulo simples no cemitério de São João de Petrópolis.

O resgate de toda essa história vem sendo promovido na cidade de Santa Teresa. Nas festas e eventos promovidos pela comunidade, os moradores encenam peças para relembrar o episódio, para que as futuras gerações conheçam essa história. “A intenção é mostrar esse fato triste para que ele jamais volte a se repetir. A discriminação racial é uma coisa absurda e intolerável”, disse a bisneta do capitão Vivaldi, Maria Auxiliadora Vivaldi Tononi, de 64 anos.

 

Fonte: Matéria em A Tribuna, baseada no livro São Roque do Canaã – Uma história de Fé, Trabalho e Vitórias, de Luiz Carlos Biasutti e Arlindo Loss. – 16/11/2008
Compilação: Walter de Aguiar Filho, julho/2013 

 

LINKS RELACIONADOS:

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História do ES

Loren Reno, educador

Loren Reno, educador

Loren Reno veio da outra América como missionário batista para a evangelização do Brasil. Aqui trabalhando, fez-se também educador emérito, e é nesta qualidade que iremos focalizá-lo.

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