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De como Anchieta leu (ensinou) latim

Padre José de Anchieta catequização

Como em São Vicente estava a maior parte dos nossos, que então havia no Brasil, e não tivessem nenhum gênero de estudos por falta de mestres, o Pe. Nóbrega não nos deixava estar ociosos: antes com muito fervor que ele tinha e grande zelo da perfeição os trazia abrasados em fervor de devoção, mortificação e todas as mais virtudes com vivo exemplo e contínuas práticas espirituais. E assim enquanto não tiveram estudo, toda a sua ocupação era ocupar-se em Deus com muita oração e procurarem muito de propósito sua própria perfeição. E com isto nosso Senhor os quis dispor para que depois das letras, fizessem melhor assento [aproveitamento].

Chegado, pois, o Irmão José a São Vicente, logo o Pe. Nóbrega ordenou lesse [desse aula] de Gramática aos Nossos e a muitos moços de fora, filhos de portugueses. O qual ele fez por alguns anos em Piratininga, por haver lá mais comodidades para a sustentação dos nossos, com muito proveito de todos e não com menos trabalho seu. Porque além do fato que o ler [estudar] traz consigo sofrer a rudeza ou negligência dos discípulos, teve ele outros particulares, pela muita pobreza que se padecia e falta de outras achegas [instrumentária necessárias]. Não havia artes nem livros por onde os estudantes apreendessem e por isso era-lhe necessário suprir com sua pena escrevendo-lhes com sua mão o necessário para suprir a falta de livros. E como todo o dia vinha bem ocupado, era forçado a cortar pelo sono. E assim ordinariamente não dormia senão 3 ou 4 horas e às vezes menos, e algumas noites e – não poucas – lhe aconteceu passá-las em claro escrevendo até pela manhã.

Também a casa de sua habitação, onde liam, era tal e tão pequena que o fumo de tal maneira tomava posse dela que lhes era necessário e menos trabalho, saírem à rua e sofrer os grandes frios e geadas do que a fumaça. [mais do que fumaça]. Juntava-se a isso que como não tinham outra cama senão redes, nem outros cobertores mais que o fogo debaixo delas ao modo dos índios, e os frios dalí são muito grandes. Era-lhe necessário, acabada a lição da tarde, irem mestre e discípulos buscar a lenha e trazê-las às costas e depois boa parte do sono gastavam em atiçar o fogo para puderem dormir alguma coisa. Por tudo isso passava o irmão com muita igualdade de ânimo e alegria de coração por ver que com esses seus trabalhos se iam preparando obreiros que trabalhariam nesta grande vinha do Senhor, da conversão dos naturais da terra.

 

Fonte: Anchieta: um santo desconhecido? – 2014
Organização: Padre Illário Govoni
Compilação: Walter de Aguiar Filho, janeiro/2020
Onde comprar o livro: Santuário de Anchieta, Anchieta/ES ou Marques Editora, Belém-PA

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