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Empresa utiliza água da chuva captada de enxurradas da Pedra Azul

Lago e caixas de fibra usados para capitar água da chuva na região de Pedra Azul

A empresa Pedra Azul Ecologia e Desenvolvimento, que possui uma propriedade modelo de 120 hectares aos pés da Pedra Azul, em Domingos Martins, tem um receita simples para driblar a escassez de água e economizar energia: criatividade e consciência ecológica.

A propriedade capta a água da chuva no momento que ela cai pela Pedra Azul, na forma de enxurradas, por meio de dois lagos e quatro reservatórios (caixas d’ água circulares) com capacidade para 100m3 cada.

“O procedimento é simples: a água que desce movimenta uma roda d' água que, por sua vez, joga a água até caixas mais altas”, explicou o engenheiro agrônomo Edimar Cardoso Binotti.

Segundo ele, as caixas, que são construídas em ferro e cimento, podem captar, numa chuva de verão, até 1,5 mil litros d' água.

“A água é utilizada na alimentação animal, no combate aos incêndios, na pulverização de produtos orgânicos, além de irrigar jardins e hortaliças. No futuro, será usada nas descargas das casas (esgotos)”, contou.

Para fazer o transporte da água até os locais de uso são utilizadas redes de tubulações instaladas estrategicamente e tratores – não há gastos com bombeamento. Como os veículos sobem leves e descem pesados, ocorre menor gasto de energia.

De acordo com o engenheiro, os dois lagos (o maior com 7,5 milhões de litros e o menor, com 2,5 milhões de litros), no topo dos morros, servem como reservatórios para que a água possa descer por gravidade.

“Escolhemos locais onde há muitas rochas, por elas serem impermeáveis, e fazemos as paredes laterais. Criamos uma espécie de piscina, onde são colocados peixes (piabas) para controlar a disseminação de mosquitos e algas. Se toda a água for utilizada, os peixes são consumidos”, informou.

Binotti explicou que a adoção de técnicas para otimizar o uso da água e realizar a economia da energia surgiu de uma necessidade, já que a propriedade está localizada numa região montanhosa em que as diferenças de nível de água variam em até 100m, além do fato das nascentes possuírem pequenas vazões e serem poucas.

Na propriedade também são realizados plantios de árvores, cavalgadas ecológicas com cavalos noruegueses da raça Fjor e produção de café orgânico.

 

Alternativa com a água da chuva

 

Apesar das bacias dos rios Jucu e Santa Maria da Vitória ainda possuírem disponibilidade hídrica para atender a atual demanda, o uso da água da chuva já é visto como uma opção viável.

“Com uma precipitação média anual de 1.600mm na Grande Vitória, uma área de 100m², que é menor que a maioria dos telhados, poderia acumular 160 mil litros de água”, informa o gerente do Iema Fábio Ahnert.

Segundo ele, o número é suficiente para abastecer, em usos menos nobres (descarga, limpeza de piso, jardinagem), uma família de cinco pessoas pelo período de 5,5 meses.

“Resultado: menos água sendo extraída dos rios, menor valor a pagar na conta e menos água contribuindo para os alagamentos na Grande Vitória”, enumera.

 

Você sabia?

 

Se toda a água da Terra fosse dividida entre seus habitantes, cada um teria oito piscinas olímpicas. Mas se for dividir somente a água potável, cada pessoa receberia apenas cinco litros.

 

Fonte: Cartilha de mobilização da sociedade para criação dos CBH’s dos rios Jucu e Santa Maria da Vitória elaborado pela ONG Ecobacia e o Iema.
Fonte: A Tribuna, Suplemento Especial Navegando os Rios Capixabas – Rio Jucu – 26/08/2007
Compilação: Walter de Aguiar Filho, agosto/2016

 

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