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Sesmaria de Quatinga

A colonização da atual cidade da Alfredo Chaves teve início quando Dom Pedro II doou 500 alqueires de terra ao guarda de honra da corte, o português Augusto José Álvares e Silva (Augustão). A chamada sesmaria Quatinga se estendia do rio Joeba a São Marcos. Há informação que Álvares e Silva criava gado em sua vasta fazenda. O território também era ocupado por índios, possivelmente temiminós, pela proximidade com a atual Anchieta.

A área foi dividida em cinco partes chamadas sesmaria do Norte, do Sul, Leste Oeste, e toda a sede de Alfredo Chaves, informa a prefeitura. Silva casou com Macrina Rachel da Conceição, herdeira da sesmaria, filha de português nascida naquele território. Quando o marido morreu, Macréia como era conhecida, herdou a sesmaria, e doou a área do morro do cemitério aos pobres e escravos que não tinham onde morar.

O lugar se chamava Povoação de Nossa Senhora da Assumpção. Mais tarde, os jesuítas construíram uma igreja e o local passou a se chamar Povoação de Nossa Senhora da Conceição.

Herdeiros

A sesmaria Quatinga foi herdada pelos cinco filhos de Augusto e Macréia. Tempos depois, toda a área de Quatinga passou a ser de propriedade do coronel José Togneri, marido da quinta filha do casal, Rita Augusta José Álvares e Silva. Foi ela quem loteou a área e doou parte do loteamento a alguns italianos, como os Franzotto, Roversi e Casoti.

Togneri moreva num chalé onde atualmente é o Morro da Caixa D’água. Em 1917, o italiano construiu o casarão da fazenda Quatinga, que permanece preservado. A parte superior do sobrado abrigava a residência, e o térreo a casa comercial Irmãos Togneri.

Além de exportação de café, atividade da loja incluía a importação de produtos finos da Europa, principalmente França e Itália. Sofisticados chapéus de plumas, tecidos e acessórios, móveis, utilidades do lar e ouro, eram comercializados. Um dos produtos mais procurados era o remédio que combatia a febre amarela, moléstia da região.

Foi a maior casa comercial daquela região, conhecida popularmente por “Butica”. As transações comerciais eram feitas com ouro. O sistema funcionava mais ou menos da seguinte forma: as pessoas levavam as mercadorias e pagavam após a colheita do café. O interessante é que até hoje o casarão mantém seu térreo ocupado com os antigos balcões, armários e prateleiras, apesar de o centro comercial não existir mais.

Atualmente o casarão ainda permanece em poder de uma herdeira da família Togneri. Apesar de o sobrado não estar tombado como patrimônio histórico, Delorme Togneri vem preservando a casa. Mesmo com constantes reformas a arquitetura não foi descaracterizada, e os móveis são os mesmos usados pelas antigas gerações. No sítio Togneri ainda resistem outras duas casas construídas no início do século, que servem atualmente de depósitos.

Em 1878, Dom Pedro II enviou o ministro da colonização, engenheiro Alfredo Chaves, com 21 soldados, para expulsar os índios instalados nas fazendas Togneri e Gururu. Em 24 de janeiro de 1891 o povoado é desmembrado de Anchieta e elevado à categoria de Vila de Alfredo Chaves. Em 21 de maio de 1924 recebeu o status de cidade.

Fonte: Edição Especial de A GAZETA – Municípios do ES
Vitória, segunda-feira, 26 de setembro de 1994

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