Na administração pública, há certas coisas que se resolvem mais com método do que com dinheiro. O ensino público situa-se nessa categoria.
No início do século XX, até 1908, o ensino era um mito para muitos e um privilégio para as famílias mais abastadas. O Estado tinha 125 escolas para uma população de 250.000 habitantes. Não havia magistério, não havia escolas e pior ainda, não havia orientação pedagógica capaz de acrescer o rendimento cultural dos professores.
Jerônimo Monteiro, homem de espírito arejado foi objetivo. Pretendendo elevar o nível do Estado, contratou Carlos Gomes Cardim, vindo de São Paulo. Era um educador entusiasta e jovem, forjado no dinamismo da cultura paulistana, sempre na dianteira do progresso nacional, e confiou-lhe o problema da instrução pública.
A 29 de junho, Gomes Cardim se investia na Inspetoria de Ensino. Seus conhecimentos, carinho e método de trabalho dinamizaram todos os subordinados. Não deixou vestígio da velha e retrógrada estrutura educacional de professores autodidatas, adeptos da palmatória. A escola passou a ser desejada, tornou-se centro de atração infantil. Os professores se envaideciam de sua nobre missão social. Tudo foi mdificado: edifícios, magistério, metodologia, disciplina e educação. Os recreios, os jogos, o batalhão, a cultura física, o cântico dos hinos patrióticos, a instrução cívica e moral criaram ambiente e interesse para alunos e pais. A modelagem, as artes domésticas e o jornal escolar despertaram virtudes adormecidas. Em resumo, houve um verdadeiro movimento educacional no sentido dinâmico do termo.
A reabertura da Biblioteca Pública, a fundação da Escola de Bela Artes, os Congressos Pedagógicos, as reuniões de professores, as visitas de homens de letras e de ciências propiciaram a elevação cutural da sociedade. Carlos Reis, à frente da Escola de Pintura, descobriu vocações e incutiu gosto pelas artes plásticas.
Professores cultos e capazes encontraram clima no magistério enobrecido. Deocleciano de Oliveira pode suceder a Carlos Cardim sem lhe deslustrar a obra renovadora. O estímulo atingiu o magistério particular. Abrem-se cursos primários que se tornariam famosos. A semente educacional germinou com viço. A 23 de maio de 1912 o número de escolas se elevava a 247.
Fonte: Biografia de uma Ilha
Autor: Luiz Serafim Derenze