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NAMORADOS DE VILA VELHA
01/09/2010

Livro: Vila Velha de Outrora
Autora: Maria da Glória de Freitas Duarte

Felizes os jovens do passado que sabiam apreciar a beleza do luar que, prateando todas as coisas com a sua suave luz, tornava as noites cheias de encanto e poesia.

Inspirados pelo esplendor dessas noites enluaradas, mergulhadas no silêncio, quebrado apenas pelo farfalhar das folhas acariciadas pela brisa amena, os rapazes acompanhados por violões, cantavam as mais belas melodias em que extravasavam seu amor, sua paixão, debaixo da janela da sua amada.

Geralmente as serenatas eram realizadas pelos moços que, algumas vezes, se faziam acompanhar por senhores. Entre os mais famosos seresteiros da Vila Velha antiga encontravam-se: Antônio e Arnaldo Barcelos que nos violões acompanhavam a flauta de Cleto Rodrigues. Formavam um trio apreciadíssimo que arrastava um bom número de admiradores pelas ruas de Vila Velha.

Quanta poesia, quanta beleza, quanto lirismo no coração dos antigos!... Com que ternura cantavam em dueto:

“Leonor, tu és mimosa,
Qual lua ermosa, no céu azul...
És linda como os passarinhos
Mais bonitinhos que vêm do sul."

Tinha-se a impressão de que eram vozes celestes, embalando os sonhos dos jovens.

Enlevando suas namoradas ou, algumas vezes, num preito de fidelidade àquela que lhe dera os filhos – a esposa – jovens e senhores, unidos pelo mesmo sentimento – o amor - dedicavam às suas amadas, belas melodias com estas:

“Há dias que eu passo na vida,
Como as folhas que o vento levou.
Foram dias da vida ditosa,
São saudades que o tempo deixou.

Como são lindos os teus cabelos,
Como são lindas as tranças tuas,
Só parecem cabelos roubados
Da existência da noite sem lua.”

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