Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

Os Botocudos – Por Celso Perota

Botocudo

A questão da relação da sociedade portuguesa com os registros sobre índios no Brasil foi muito complicada, principalmente quanto à identificação lingüística dos grupos. Os contatos para a troca de informações foram feitos com os índios que falavam a língua tupi-guarani. Em função disso, no século XVI, esses índios denominavam os demais "tapuyas", cujo significado era "aquele que não fala a nossa língua". Portanto, eram tapuias todos os que não falavam a língua tupi. Por outro lado, no Espírito Santo e no século XVIII, essa denominação passa a ser "botocudo", palavra que vai denominar todos os índios que se encontravam arredios à colonização portuguesa. Assim, nesse período, é um pouco difícil mostrar a real identidade dos grupos indígenas, em função dessa generalização.

Os botocudos surgem na região Norte do Espírito Santo, nos vales dos rios Doce, Cricaré e Itaúnas. Esses índios dominavam a região dos formadores desses rios e foram pressionados pelas populações mineradoras que procuravam ouro, nas cabeceiras do rio Doce, e pedras preciosas, nos rios São Mateus, Mucuri e Jequitinhonha. Assim, se estabeleceram em território do Espírito Santo.

A história dos botocudos é muito difícil de reconstituir pela sua extraordinária capacidade de mudar de sítio. A residência em cada aldeia não durava mais do que quatro meses. Por isso nem a arqueologia e nem a etnohistória podem acompanhar essa mobilidade. Em função disso é que aparece uma série de nomes, com grafias diferentes, que representam as autodenominações que foram usadas em cada época e que poderiam representar o mesmo grupo.

Os grupos de botocudos são identificados por:

a) pertenceram a uma sociedade macro-jê;

b) serem grupos com grande mobilidade no espaço, portanto nômades por tradição;

c) fragmentação freqüente do grupo em famílias com o reagrupamento sazonal;

d) por não terem um território geográfico definido e estarem constantemente em conflito com seus vizinhos;

e) e por terem uma economia de coleta e de caça.

Alguns de seus nomes podem ser identificados no Espírito Santo, desde designações genéricas até identificação de pequenos grupos. São registrados no Estado os seguintes, para os índios pertencentes ao grupo macro-jê:

Nomes genéricos

Aimorés - Guaimure; Guerens; e botocudo

Nomes de grupos

Nacnenuc, naknenuk, nackenenucks, nac-na-nuc; Cracmum, craquemu, crenaque; Pajearum; Giporok, jiporoca, giporok; Pojejás, pojinchás; Porohum; Bakuês; Nak-erehã: Etwet;Takruk-krak; Nep-nep; Gut-krak; Pancas: Munhangirens, minagiruns; Nac-herehé; e Incut-crac.

 

Fonte: Jornal A Gazeta, A Saga do Espírito Santo – Das Caravelas ao século XXI – 19/08/1999
Pesquisa e texto: Neida Lúcia Moraes
Edição e revisão: José Irmo Goring
Projeto Gráfico: Edson Maltez Heringer
Diagramação: Sebastião Vargas
Supervisão de arte: Ivan Alves
Ilustrações: Genildo Ronchi
Digitação: Joana D’Arc Cruz    
Compilação: Walter de Aguiar Filho, maio/2016

Índios

Há sete mil anos os índios já habitavam o Espírito Santo

Há sete mil anos os índios já habitavam o Espírito Santo

Foi o que constaram pesquisas feitas nos objetos encontrados nos locais onde moraram os índios, os chamados sítios arqueológicos

Pesquisa

Facebook

Matérias Relacionadas

No Mapa Capixaba, uma herança dos primeiros habitantes

Os topônimos indígenas que identificam os nomes de rios, montanhas, serras, povoados e cidades no ES

Ver Artigo
A Igreja de São Tiago e a lenda do tesouro dos Jesuítas

Um edifício como o Palácio Anchieta devia apresentar-se cheio de lendas, com os fantasmas dos jesuítas passeando à meia-noite pelos corredores

Ver Artigo
As aldeias e os jesuítas no ES – Por Celso Perota

Um tema que está para ser estudado com maior profundidade é a atuação dos jesuítas na Capitania do Espírito Santo

Ver Artigo
Há sete mil anos os índios já habitavam o Espírito Santo

Foi o que constaram pesquisas feitas nos objetos encontrados nos locais onde moraram os índios, os chamados sítios arqueológicos

Ver Artigo
O Franciscano Frei Pedro Palácios trouxe a devoção da Penha

Frei Pedro Palácios nasceu na Espanha, filho de nobres e desde muito cedo mostrou sua inclinação para as doutrinas da fé

Ver Artigo
José de Anchieta e o Espírito Santo

O jesuíta visitou mais de uma vez o Espírito Santo quando em trabalho de inspeção aos colégios dos padres e seminários de instrução

Ver Artigo
Capitania melhora com a vinda de missionários

Primeiro foi Frei Pedro Palácios, franciscano. Depois vieram os padres jesuítas, o rei pediu sua ajuda para civilizar colonos e índios no Brasil

Ver Artigo
Padre Brás Lourenço, o pioneiro

Entre os jesuítas que atuaram no Espírito Santo, destacaram-se Brás Lourenço, Diogo Jácome, Pedro Gonçalves e Manuel de Paiva, além do Padre José de Anchieta 

Ver Artigo
Anchieta, Cultura e Santidade

Ele veio para o Brasil com 19 anos, na companhia do segundo governador-geral, Duarte da Costa 

Ver Artigo
Jesuítas fundam o primeiro colégio

Afonso Brás foi assim o fundador do primeiro colégio da Capitania do Espírito Santo e também o primeiro professor de letras

Ver Artigo
Os vários grupos de índios – Por Celso Perota

Habitaram a área do atual Estado do Espírito Santo representantes de dois troncos lingüísticos: o tupi-guarani e o jê

Ver Artigo