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Prático: atividade tem momentos de perigo

Os práticos embarcam nos navios quando eles ainda estão fundeados na barra da Baía de Vitória - Foto: Gláucio Motta

Os práticos escalados para atuar são acionados pelo Centro de Coordenação de Operações e chegam até os navios conduzidos pelas lanchas de apoio. Para realizar o embarque, o mestre da lancha se aproxima bem da escada do navio e, num ato de precisão, o prático segura firme na corda e sobe em direção ao convés do navio. Chegando ao passadiço, a manobra é entregue ao prático pelo comandante.

"A subida e a descida, por incrível que pareça, são os momentos mais críticos do nosso trabalho, pois a lancha sofre muita influência da turbulência das águas junto ao casco do navio. Qualquer deslize, o prático pode ficar imprensado entre a lancha e o navio. E se ele cair da escada, a lancha não pode estar em baixo, pois a queda pode ser fatal", descreve Boavista.

COMANDO                                                              

Todos os movimentos que o navio fará até a atracação ou desatracação são definidos pelo prático. O comandante, se quiser, por motivos óbvios de hierarquia, pode discordar do prático. Mas essa é uma situação rara de acontecer.

Para Marcos Boavista, o fato de não haver vínculo pessoal entre o prático e o comandante é produtivo, pois haverá maior concentração na manobra.

"Entretanto, não deve faltar, acima de tudo, o respeito e a cordialidade entre ambos. Não pode haver falha. Qualquer ordem equivocada pode ser difícil de corrigir e ainda comprometer a segurança do navio e das instalações portuárias", esclarece.

A comunicação simultânea entre prático, comandante e rebocadores acontece de forma rápida e precisa. A sensação de que o navio vai bater ou de que não vai caber em determinados espaços só termina quando a embarcação atraca perfeitamente no cais. Após finalizada a operação, os rebocadores são liberados pelo prático, que retira um documento assinado pelo comandante com dados sobre a manobra e deixa o navio.

CARREIRA

Para ingressar na carreira de prático é preciso participar de exame seletivo aberto ao público promovido pela Marinha do Brasil. Sendo aprovado no exame, o "praticante de prático" acompanha durante um ano e meio o serviço de todos os práticos.

O praticante tem que cumprir um número mínimo de manobras por cais de atracação, sendo metade de dia e a outra metade à noite. Depois dessa fase, a Marinha submete o praticante a vários exames.

APRENDIZADO EXIGE DISPONIBILIDADE DE TEMPO

"Ser um prático exige disponibilidade de tempo para sua preparação. Estes praticantes executam mais de mil manobras cada um, sob a orientação dos práticos, até serem considerados aptos para o acesso à função", explica comandante Victorino.

Além disso, segundo ele, a complexidade apresentada pelo relevo recortado da Baía de Vitória e algumas peculiaridades do complexo portuário do Espírito Santo exigirá do prático treinamento e reciclagem constantes. "O prático, principalmente, requer um número elevado de atuação para a manutenção de seu grau de aprestamento", completa.

 

Fonte: Jornal A Gazeta, 100 anos do Porto de Vitória, 31/03/2006
Compilação: Walter de Aguiar Filho, fevereiro/2015

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