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Situação financeira pós-guerra - (História da Vale)

Trilhos da EFVM

Voltada, desde o início de suas atividades, para o mercado externo, a Companhia Vale do Rio Doce foi afetada pela instabilidade na economia internacional. Com o término da Segunda Guerra Mundial, em 1945, a exclusividade de venda do minério de ferro para a Inglaterra e os Estados Unidos chegou ao fim – os dois países renunciaram à opção de renovação dos contratos. Se, por um lado, essa decisão reduzia a premência de exportação de minério, por outro deixava a CVRD sem mercados garantidos a curto e médio prazos. O fim do conflito mundial provocou uma redução, em âmbito global, na produção siderúrgica e, até que se fizessem sentir os efeitos da reconstrução da economia europeia, a demanda por minério de ferro permaneceu baixa e os preços, consequentemente, pouco compensadores

As dificuldades enfrentadas pela CVRD foram agravadas pelos altos custos dos fretes marítimos – o Brasil competia com países situados a menor distância (como Canadá e Venezuela) dos principais mercados consumidores (Estados Unidos e Europa). A falta de uma estrutura de comercialização adequada levou a CVRD a se submeter a um grande número de intermediários, que lhe pagavam preços bem inferiores àqueles em vigência no mercado internacional.

O mercado mundial havia mudado e era imperativo reduzir o custo do minério. Ao lado dessa difícil situação econômico-financeira, a Companhia passou no início de 1946, pela sua primeira mudança de diretoria.

Eleito deputado federal por Minas Gerais em dezembro de 1945, Israel Pinheiro deixou a presidência da CVRD em fevereiro do ano seguinte, sendo substituído pelo engenheiro Dermeval José Pimenta, nomeado pelo presidente da República, general Eurico Gaspar Dutra.

João Punaro Bley e Robert West foram mantidos na nova diretoria, das minas, de reparo da ferrovia e de modernização das instalações do Cais do Atalaia no Porto de Vitória (ES). Durante o ano de 1946, a

CVRD lançou o terceiro e último grupo de debêntures previsto em 1944, no valor de 100 milhões de cruzeiros, e obteve um empréstimo de 30 milhões de cruzeiros do Banco do Brasil,visando, com esses recursos adicionais, dar continuidade a obras essenciais.

Outro grande problema vivido na segunda metade da década de 1940 foi a crescente ingerência dos diretores norte-americanos na administração da Companhia. Ainda em 1946, Dermeval Pimenta tentou um novo empréstimo de US$ 7,5 milhões com o Eximbank e um aumento do capital. As negociações em torno do empréstimo se estenderam até 1948, uma vez que o Eximbank exigia em contrapartida não só a redução dos poderes do presidente da CVRD, de forma que os diretores norte-americanos tivessem mais autonomia de ação, como também a redefinição da modalidade de pagamento do empréstimo inicial de US$ 14 milhões, já parcialmente quitado. 44

O Eximbank, na realidade, denunciava os termos do contrato de 18 de março de 1943, celebrado sem o aval do Tesouro Nacional, pelo qual os juros e o capital só seriam pagos com os recursos gerados pelas exportações do minério de ferro. Somente 15% do valor das exportações seriam destinados ao pagamento das notas promissórias referentes ao empréstimo concedido. Após 25 anos, as notas promissórias seriam devolvidas à CVRD como resgatadas, mesmo que os fundos provenientes das taxas de 15% não fossem suficientes para saldá-las.

Essas condições de pagamento haviam se baseado na previsão de que dois anos após a assinatura do contrato, ou seja, a partir de 1945, a

CVRD já estaria exportando o total fixado de 1,5 milhão de toneladas anuais de minério de ferro. Como isso não aconteceu, o Eximbank argumentava que teria prejuízos, caso a administração da Companhia não fosse eficiente e satisfatória. 45 Na verdade, o valor das promissórias com vencimento até 1o de setembro de 1948 importava em US$ 2,64 milhões, e o valor efetivamente pago somava apenas US$ 548.016,23, o que desobrigava a CVRD, segundo o contrato de 1943 (que já fora denunciado pelo Eximbank por não estar assinado pela presidência da empresa), do pagamento dos US$ 2.091.983,77 de diferença.

 

Fonte: Vale 70 anos: Nossa História, 2012
Compilação: Walter de Aguiar Filho, agosto/2013 



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Estrada de Ferro Vitória Minas

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