Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

Os primórdios do Convento da Penha

Cúpula do Convento da Penha - Foto: Terê Thomazini

Fato comovente, nos registros da Penha foi, sem dúvida, a romaria dos jesuítas Inácio de Tolosa, Luiz da Grã e outros companheiros, em 1573. Foram agradecer a Nossa Senhora da Penha o salvamento de suas vidas, no naufrágio do navio, na foz do Rio Doce. Haviam partido de Vitória, a 28 de abril. Impossibilitados de prosseguir a viagem, regressaram àquele porto e esperaram cinco meses a construção de outro transporte.

Em 1584, realizou-se nova romaria de sacerdotes jesuítas, que viajavam para, com o Visitador Cristóvão de Gouvêa, percorrer as missões da Companhia no Brasil. Saíram de Lisboa a 5 de março de 1583. Chegaram à Bahia, em 9 de maio do mesmo ano. A 14 de novembro de 1584, partiram para o Sul e, em consequência do mau tempo, somente a 21, aportaram ao Espírito Santo. Tiveram, em Vitória, festiva recepção, descrita, minuciosamente, no "Tratado da Terra e Gente do Brasil".

Foram à Penha.

Dessa romagem, então indispensável aos visitantes da Capitania, o nomeado cronista e ilustre jesuíta Fernão Cardim deixou o seguinte relato: "- Na barra deste porto está a ermida de Nossa Senhora da Pena de Sintra, por estar fundada sobre altíssima rocha de grande vista para o mar e para a terra. A capela é de abóboda pequena, mas de obra graciosa e bem acabada. Aqui fomos em romaria, dia de Santo André, e todos dissemos missa com muita consolação. Este dia nos agasalhou o Sr. Governador com muita caridade".

Passado algum tempo, desejoso de incrementar a religião católica no ES, o segundo donatário, Vasco Fernandes Coutinho Filho, pediu ao Custódio, na Bahia, Frei Sebastião de Santa Catarina, que mandasse religiosos para sua capitania. Morreu, porém, a 5 de maio de 1589, amtes que se realizasse tão piedosa aspiração. Mas, a Srª Luiza Grimaldi, sua viúva e substituta no governo, o Capitão Miguel de Azeredo, adjunto da Governadora, o vigário ouvidor na Vara, Pe. Francisco Pinto, Marcos de Azeredo e outras pessoas distintas receberam festivamente os dois sacerdotes Franciscanos, que chegaram a Vitória em novembro do mesmo ano - Frei Antônio dos Mártires e Frei Antônio das Chagas.

Tratava-se de certo, do primeiro passo para o estabelecimento de um cenóbio na Capitania. Vieram os referidos religiosos examinar as condições do novo meio que se lhes oferecia para o trabalho da salvação das almas. Hospedaram-se na casa de Marcos de Azeredo. Regressaram a Olinda, dois meses depois e levaram informações favoráveis ao estabelecimento da Ordem no ES.

Vieram definitivamente em fins de 1590 e chegaram a Vitória em janeiro de 1591. Estabeleceram-se nessa Vila. Decidiram então, as autoridades da Capitania entregar-lhes a Ermida das Palmeiras. Devidamente autorizados pelo Custódio da Ordem, aceitaram essa preciosa dádiva, cuja escritura foi assinada a 6 de desembro de 1591.

Constitui essa resolução da Governadora Luiza Grimaldi mais um feito notável da sua esclarecida e prudente administração.

 

Fonte: Relicário de um povo - O Santuário de Nossa Senhora da Penha, 1958
Autor: Maria Stella de Novaes

Convento da Penha

Processo de canonização de Frei Pedro Palácios

Processo de canonização de Frei Pedro Palácios

Todos os habitantes das vilas do Espírito Santo e da Vitória, uns pelo conhecimento pessoal, outros pela tradição, porfiavam em depor; mas só era preciso o juramento de algumas testemunhas entre os homens mais qualificados.

Pesquisa

Facebook

Matérias Relacionadas

Origem do nome Convento da Penha

Nossa Senhora da Penha era o cognome da Nossa Senhora dos Prazeres ou das Alegrias, amplamente venerada pelos fiéis que cultuavam Maria Santíssima. Os antigos portugueses a veneravam como Nossa Senhora da Penha de Cintra,

Ver Artigo
História da Festa da Penha

A Festa da Padroeira dos capixabas sempre foi o principal acontecimento religioso de Vila Velha. Segundo a Lei nº 7, de 12/11/1844, o dia da Festa da Penha passou a ser considerado feriado em toda a Província do Espírito Santo

Ver Artigo
Carta de doação do Convento da Penha

A Governadora Luiza Grimaldi e seu Adjunto, Miguel de Azeredo, e oficiais da Vila da Vitória, e assim os da Câmara desta Vila do Espírito Santo da dita Capitania que este ano de noventa e hum servimos, etc. Fazem saber...

Ver Artigo
Festa da Penha (2005) - Por Mônica Boiteux

Em tempos idos, a Festa da Penha era o maior evento das Famílias de Vila Velha. Rendas brancas e flores nas janelas, as casas da Prainha se arrumavam para saudar a passagem da Santa

Ver Artigo
Santificado seja o vosso nome, Benemérito Frei Palácios!

No convento da Penha, um dos mais belos, dos mais notáveis monumentos de Fé Católica do Brasil, em todos os tempos o de maior veneração do povo espirito-santense, acaba de realizar-se a tradicional festividade em homenagem à  Padroeira do Estado 

Ver Artigo
A Festa da Penha

A primeira Festa da Penha - como já se disse - foi realizada ainda em vida de Frei Pedro Palácios, que a promoveu. Escolheu ele a segunda-feira depois da dominga de Pascoela, dia consagrado, então, à devoção franciscana de Nossa Senhora dos Prazeres.

Ver Artigo
Oratório à Nossa Senhora da Penha - Por Walter de Aguiar Filho

Clementino era católico fervoroso, por isso logo depois que construiu sua cabana, ergueu um oratório à Nossa Senhora da Penha de frente para o Convento da Penha

Ver Artigo
As Ruínas do Convento

Subindo os degraus do convento, logo após o patamar do Museu e da Sala dos Milagres, um portão no muro mostra uma surpreendente paisagem: Vila Velha na altura da Praia da Costa, a vegetação atlântica, a subida da ponte que liga o município a Vitória e logo ali, aos pés do visitante, uma área gramada com ruínas.

Ver Artigo
O Místico e o Convento da Penha

O primeiro donatário ainda era vivo. Velho, doente e cansado, sobre ele desabavam as mais difíceis atribulações de sua vida. Exatamente nessa época, no ano de 1558, desembarca na Prainha de Vila Velha o franciscano irmão leigo frei Pedro Palácios.

Ver Artigo