Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

Um amor que vai durar (e durou) para sempre

Milson Henriques conta que descobriu em cada canto de Vitória um motivo forte para ficar - Foto: Luiz Pajaú - Jornal A TRIBUNA de 08.09.2001

Fugindo da guerra santa entre o Irã e o Iraque, que eclodiu na década de 80, o soldado iraniano desertor Bahador Amini, na época com 19 anos, veio parar em Vitória sem saber que cidade era essa e sem nunca ter ouvido falar do Brasil, um dos países que se prontificaram junto à Organização das Nações Unidas (ONU) a acolher os refugiados.

Essa é apenas uma das histórias de pessoas que saíram de suas terras natais e adotaram Vitória como lar, apaixonando-se por ela.

Vivendo há 14 anos em Vitória, o iraniano Bahador Amini se considera uma pessoa feliz, porque conseguiu se reestruturar em uma cidade com todas as características que, segundo ele, são ideais para quem busca qualidade de vida.

“Sinto saudade do Irã, afinal, aquela é a minha terra, mas adotei Vitória com o coração e me confesso apaixonado por essa ilha”, diz. Com 34 anos de idade, a primeira coisa que chamou a atenção de Amini foi a formação geográfica da cidade.

“O fato de ser uma ilha me atraiu muito. Além, é claro, da beleza natural. Vitória tem praias bonitas e é cercada de montanhas. Acho importante também o fato de estar vivendo em uma região bem próxima aos grandes centros”.

Outro que se encantou com Vitória e acabou adotando a cidade como sua segunda pátria foi o médico e escritor chileno Pablo Cruces. Ele, que está com 28 anos, veio a convite da irmã, que já morava na ilha com o marido.

“Vim em busca de uma cidade mais tranqüila e, realmente, encontrei isso aqui. Hoje, não saio de Vitória de jeito nenhum”. A paixão de Pablo por Vitória é tanta, que ele decidiu convencer os pais a deixarem Santiago, capital do Chile, para morar aqui.

Aventureiro, Pablo não perde as oportunidades que surgem para escalar pedras e uma das preferidas é exatamente a Pedra dos Olhos, em Jucutuquara, que é o ponto mais alto da cidade com seus 296 metros.

A comunicadora e superintendente de rádio Maria da Luz Fernandes veio da Ilha da Madeira, em Portugal, e encontrou em Vitória semelhanças que a fizeram ficar encantada com a cidade.

Morando há nove anos aqui, ela não pensa em deixar nunca mais a capital capixaba pela qualidade de vida. “Em Vitória a gente não fica estressado”.

O multimídia Milson Henriques adotou Vitória por acaso. De passagem por aqui com destino ao Rio de Janeiro, de onde embarcaria para o exterior fugindo da ditadura Militar, em 64, ele foi obrigado a permanecer na cidade porque o dinheiro acabou antes da hora.

“Bendita a hora em que isso aconteceu. Pude ficar e hoje não troco Vitória por nada”.

Com 64 anos de idade e 37 de Vitória, Milson descobriu em cada canto da cidade um motivo forte para ficar, principalmente a partir do momento em que começou a se envolver com o teatro capixaba.

“Cheguei em uma época que as coisas começaram a fluir. Fui o homem certo, no lugar certo e na hora certa”, ressalta o multimídia.

 

Fonte: Jornal A Tribuna, 08/09/2001
Autor: Rodrigo Prado
Compilação: Walter de Aguiar Filho, janeiro/2015 

 

Nota do site: Milson Henriques veio a falecer na manhã de sábado (25/06/2016) em Vitória, no Espírito Santo. 

Pesquisa

Facebook

Leia Mais

Na rota dos tesouros

Navios afundados e riquezas soterradas despertam interesse de aventureiros no ES

Ver Artigo
O Caboclo Bernardo (Parte I) - Por Rubem Braga (1949)

Parece que não tinha nenhum sangue europeu; era apenas um índio, com seu nome cristão de Bernardo José dos Santos

Ver Artigo
O Caboclo Bernardo (Parte II) - Por Rubem Braga (1949)

Aos 55 anos de idade foi assassinado a tiros de garrucha por um outro caboclo chamado Lionel, que estava cheio de cachaça

Ver Artigo
Um amor que vai durar (e durou) para sempre

Fugindo da ditadura Militar, em 64, ele foi obrigado a permanecer na cidade porque o dinheiro acabou antes da hora

Ver Artigo
Descida do Rio Jucu - 2007

No ano em que o mundo desperta para os problemas do aquecimento global, a Descida Ecológica do Rio Jucu, em sua 18º edição, mais uma vez chama nossa atenção

Ver Artigo