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Linhares: Futuro Polo Turístico

Lagoa Juparanã, Linhares -ES

O município de Linhares está marcado por uma importância econômica que o situa entre as primeiras unidades do Estado. Com uma área de 4.540 quilômetros quadrados, tem uma população de 92.689 habitantes, dos quais 64.541 vivem na zona rural. Esta tendência ruralista do município se afirma cada vez mais, já que assenta sua economia sobre a cultura do cacau, do café, do arroz, da madeira, da pecuária e, já agora, do reflorestamento com escala empresarial.

A temperatura média anual é de 23° e a altitude máxima é de 400 metros.

Com a construção da Rodovia BR-101 o município de Linhares, que já apresentava um dos maiores índices de desenvolvimento econômico do Estado parece ganhar novo impulso com as oportunidades que surgem no caminho do turismo, que revelará um grande potencial natural, com o aproveitamento de suas inúmeras lagoas e rios, destacadamente a Lagoa Juparanã e o Rio Doce. Para a região, o Governo do Estado, consciente de sua importância turística a partir da pavimentação da BR-101, determinou por sugestão da EMCATUR os estudos que permitirão criação do Parque Estadual de Juparanã, que colocará a imensa paisagem amazônica do município a apenas 70 minutos da capital do Estado.

Além do Rio Doce, que oferece curso navegável capaz de sustentar o desenvolvimento dos esportes aquáticos, a pesca e caça abundante, podem-se destacar outros importantes cursos d'água, entre eles São José e Barra Seca, para não falar na beleza das lagoas das Palmas, Aguiar, Durão, Juparanã Mirim e Nova.

Entre os pontos de maior destaque para o visitante, além da excelente topografia e simpatia da cidade, com suas ruas calçadas, sua excelente infra-estrutura de serviços (três agências bancarias, quatro hotéis, inúmeros restaurantes típicos, hospitais, maternidades, clubes sociais, ginásios, grupos escolares e clubes de serviço), vale destacar as fazendas de cacau, imensas, organizadas e dignas de ser visitada, a fabulosa Reserva Florestal de Sooretama, o museu Lorenzutti, que encerra impressionantes trabalhos de taxidermia com aves, pássaros, animais e peixes, além, naturalmente, dos passeios de barco e lanchas pelas lagoas e rios, com paradas nas ilhas, destacadamente na do Imperador, que teve a honra de receber, em 1860, S.M. Dom Pedro II, que nela almoçou após a manhã de pesca e caça. Esta experiência está descrita no "Diário" de próprio punho feito pelo Imperador e que estão farta e minuciosamente recordados no livro "Viagem de Dom Pedro II ao Espírito Santo", de autoria do escritor e historiador Levy Rocha, o que se recomenda aos estudiosos pelas facetas reveladas e pela importância de que se reveste para a história de Linhares, do Estado e do país, já que contém reproduções dos índios botocudos desenhados pelo Imperador e um pequeno dicionário do linguajar indígena que o Imperador teve a felicidade de registrar no seu "Diário", bem assim fatos e passagens que servem para ilustrar nos dias atuais a afirmativa da existência de verdadeira paisagem amazônica, praticamente intocada ainda hoje, a apenas 70 minutos da capital do Estado.

Lagoas e rios piscosos, neles abundam os robalos, tucunarés, dourados, piaus, trairas, piabinhas e muitos outros peixes, além das lagostas e camarões de água doce, que sustentam uma culinária típica inesquecível. Também a região é abundante em caça aquática, oferecendo ao cair da tarde, o espetáculo indescritível do vai e vem das nuvens de irerês e marrecas. A caça de pio, ali representada por macucos, chorões e mutuns, bem como a caça de pelo, onde se destacam pacas, capivaras, onças, gatos do mato, porcos do mato e antas, completam o quadro que jamais será esquecido por aqueles que têm a aventura de conhecer e viver o encanto selvagem dos 37 quilômetros da Lagoa Juparanã e dos rios e ilhas que pintam de beleza o curso do Rio Doce, fazendo na região um colar natural, representado pelo círculo de 90 quilômetros de sua área de influência, que hoje se incluem entre as grandes preocupações do programa turístico estadual que defende a criação da Zona Turística de Juparanã.

A implantação de hotéis e motéis, o aproveitamento orientado da paisagem natural, a instalação de equipamentos para esportes aquáticos, a "descoberta" das grandes lagoas de águas verdes, livres de poluição, com profundidades máximas que chegam a 20 metros, estão a justificar a implantação de um complexo turístico de grande porte, auto-sustentável a partir da pavimentação da BR-101 norte, que colocou as praias da Lagoa Juparanã, de areias brancas e águas claras, ao alcance do turismo de massa, num permanente convite ao campismo e à conseqüente fuga dos centros urbanos adensados.

Historicamente, Linhares teve como seu primeiro colonizador Sebastião Fernandes Coutinho, que chegou ao município em 1573. O Conde de Linhares originou o nome atual. O município foi criado a 2 de abril de 1833, sendo instalado a 21 de agosto do mesmo ano. Em 1907 a sua sede foi transferida para Colatina, voltando a gozar autonomia em 31 de dezembro de 1943. A Comarca foi oficialmente instalada em 29 de dezembro de 1948.

Para este fim de semana, portanto, é válido que se reúna a família para uns dias às margens da Lagoa Juparanã.

Acrescente-se a esta sugestão, ainda, um convite para uma visita a São Mateus, que hoje estará em festa com a assinatura de um importante documento que visa preservar as suas tradições coloniais e a riqueza de seu potencial histórico.

 

Outubro de 1974

 

Fonte: Capixaba, sim (hoje mais do que ontem) – 2006
Autor: J.C. Mojardim Cavalcanti
Compilação: Walter de Aguiar Filho, setembro/2014

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A Cidade de Anchieta

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O município fundado pelo beato José de Anchieta e que leva seu nome oferece muitos atrativos para os turistas

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